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Covid-19 Chile

A crise sanitária se agrava apesar da tentativa do governo chileno de mostrar normalidade

Especialistas desmentiram que os números são encorajadores, como disse o Ministro Paris no último balanço da pandemia. A partir do Esquerda Diário apresentamos três pontos programáticos para enfrentar esta crise.

terça-feira 19 de janeiro| Edição do dia

Ontem foram registrados 3.928 casos positivos de COVID-19 e 70 óbitos no Chile, o que se soma aos mais de 23 mil óbitos estimados (17 mil segundo dados oficiais). Com uma taxa de positividade do teste em 4% (que está perto do pico da pandemia), o Ministro Paris anunciou na sexta-feira que, dado o aumento agressivo de casos, era provável que a Região Metropolitana retornasse à quarentena.

No entanto, como o governo está acostumado a fazer, nesta segunda-feira a mensagem do Ministério da Saúde foi de que os números eram animadores e não era necessário voltar à fase 1 na região metropolitana. Os especialistas das faculdades de medicina expressaram suas objeções a essa ambivalência abertamente encorajada pelos sindicatos empresariais, que fazem de tudo para que o Ministério da Saúde não tenha as chaves da economia.

Para os especialistas, embora os números ainda não mostrem uma catástrofe, o aumento da pandemia já começa a se refletir na sobrecarga hospitalar, somando-se ao extremo desgaste sofrido pelos profissionais de saúde após quase um ano de pandemia em condições de trabalho precárias.

A partir do Esquerda Diário consideramos necessário abordar esta crise de saúde a partir de uma perspectiva que garanta a saúde dos trabalhadores e não os interesses dos grandes empresários, por isso propomos os seguintes pontos programáticos para enfrentar esta crise:

1. Contratação, férias e fim da precarização dos trabalhadores de saúde: Garantir o devido reconhecimento que merecem por serem linha de frente contra a pandemia (bônus covid), contratação de mais pessoal para garantir o devido descanso dos profissionais após quase um ano arriscando suas vidas. Pelo fim de contratos precários, por estabilidade no emprego e garantia de EPIs para combater o vírus.
Ao contrário de realizar isso, Piñera e Paris apenas se asseguraram de reduzir a verba dos hospitais e não capacitaram novos grupos de trabalhadores.

2. Infraestrutura hospitalar: Enquanto a crise de saúde avançava, dezenas de milhares de procedimentos hospitalares foram interrompidos, pressionando mais a já subfinanciada saúde pública. Não houve expansão da capacidade hospitalar pública e a saúde privada com suas clínicas particulares foi privilegiada. Houveram escândalos como o de Espacio Riesco e também “residências sanitárias” que beneficiaram o capital hoteleiro. O extremo da irracionalidade capitalista se mostra no fato de que enquanto o estado fechou o único centro de produção de vacinas do país em 2002 (o centro de vacinas do ISP), e não deu recursos para a Uchile construir um novo. As prioridades devem ser revertidas, nacionalizando a saúde privada sem pagamento e um imposto progressivo sobre grandes riquezas para a construção de novas infra-estruturas.

3. Rastreio, controle e isolamento: Enquanto o crescimento dos testes de PCR só atingiu o patamar de 50 mil por dia em dezembro (mas tal patamar já era necessário em julho de acordo com especialistas), a rastreabilidade continua fraca devido à falta de pessoal e auxílio financeiro do governo que só vai para os municípios. Mas é claro que há milhões para a polícia corrupta para que possa reprimir e comprar armas de última geração. A efetiva rastreabilidade, controle e isolamento dos locais infecciosos devem ser garantidos por meio de uma comissão de trabalhadores de saúde e organizações de trabalhadores de setores produtivos, como é o caso de Chiloé, onde os trabalhadores da Salmon exigem o fechamento de fábricas por 14 dias .

Traduzido de: https://www.laizquierdadiario.cl/La-crisis-sanitaria-se-agrava-pese-a-intento-del-gobierno-por-mostrar-normalidad




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