Teoria

CRISE DO CAPITALISMO / ECONOMIA INTERNACIONAL

A crise econômica mundial, a extrema direita e os impasses da esquerda

Gilson Dantas

Brasília

sábado 4 de janeiro| Edição do dia

INTRODUÇÃO – A tentativa desta nota, de reunir diferentes aspectos da crise do capitalismo tomada de conjunto, tem como seu foco maior as tendências estruturais da crise e, dessa forma, não se prendeu a processos conjunturais [políticos e geopolíticos], estes bem mais dinâmicos e convulsivos. [O texto foi escrito em outubro de 2019 e não foi atualizado].

1 Economia
Mesmo entre notáveis economistas do sistema, já reina o pessimismo quanto aos anos vindouros. Já falam em “estagnação secular” e “estagnação sincronizada”, sendo que mais de um desses especialistas prevê, a curto prazo, um agravamento sem precedentes dessa crise global que se arrasta desde 2008-9, com seus altos e baixos.

Até The Financial Times (14 de outubro 2019) agora fala sobre a economia global como tendo entrado num período de ´estagnação sincronizada´, “com crescimento fraco em alguns países e sem crescimento ou uma moderada contração em outros” [PATNIAK, 2019].

Economistas ortodoxos já falam em uma conjuntura econômica muito sensível a abalos sistêmicos. Artigo de destaque da BBC britânica acende a luz amarela:

Já vivenciamos o principal risco de uma estrutura financeira unificada com a crise de 2008. Hoje, grandes empresas, bancos e instituições financeiras estão altamente interligados e os choques que afetam uma empresa ou um banco podem desencadear uma grave instabilidade e até mesmo colapso de toda a economia, diz Ductor [Lorenzo Ductor, pesquisador da Universidade Middlesex de Londres, no Reino Unido]. [BARRIA, 2019]

Ele alerta para o mais estreito entrelaçamento do capital e das instituições financeiras internacionais, fenômeno que faz com que a desestabilização do sistema possa começar em qualquer lado, em qualquer parte do sistema.

É justamente essa sincronia entre agentes econômicos que pode criar uma onda expansiva capaz de contaminar toda a economia mundial a partir de uma crise econômica em um único país. Ou seja, mesmo com a divisão geográfica entre nações, a economia e os negócios são altamente interligados - uma crise que aconteça hoje nos Estado unidos, por exemplo, pode se alastrar para mercados de todo o planeta em pouco tempo [BARRIA, 2019].

O jornal Valor Econômico desta semana [7/10/19] argumentou no mesmo sentido:
Os últimos quatro meses foram caracterizados por uma contração de atividades no setor manufatureiro global e, em particular, na indústria automobilística. Essa tendência está associada à queda de exportações de países como a Alemanha, a Coreia do Sul, a China e o Japão. Mas a economia dos EUA, cujo ciclo de expansão pós-crise financeira global já se estende por mais de dez anos, também começa a apresentar sinais de desaceleração. [BRAGA, 2019]

Roubini também entende que a possibilidade de uma crise sistêmica pode ser desencadeada por um evento como a disputa China-Estados Unidos por tecnologia de ponta, mas também pela disputa acirrada pelo petróleo do O Médio ou qualquer outro fator nacional de instabilidade profunda:

Nouriel Roubini [economista americano que ficou célebre por antecipar a crise de 2008] está prevendo agora a possibilidade de uma nova recessão global, talvez já a partir de 2020. Além da guerra comercial EUA-China, dois outros choques, na visão de Roubini, poderiam desencadear uma retração econômica generalizada.
Um deles é a disputa tecnológica, também entre Estados Unidos e China, pelo domínio de mercado dos novos e revolucionários usos da inteligência artificial, da robótica e das redes de comunicação 5G.
O outro é um acirramento de conflitos no Oriente Médio, em torno dos suprimentos de petróleo, novamente opondo Estados Unidos e Irã
. [KUPFER, 2019].

A resposta do sistema, além do recurso ao endividamento público, tem sido a de reduzir até o zero, até o negativo a taxa de juros.

Mas nem assim o investimento de grande porte aparece; não se sente atraído. E se menos juros significa melhor condição do Estado para remunerar sua dívida, e também uma festa para o capital financeiro, mas, no real, trata-se de um processo, que vai esvaziando o grande elixir para a emergência da crise.

Não surpreende, portanto, o fato de que mais da metade dos executivos financeiros nos EUA esteja prevendo uma recessão em 2020 de acordo com uma pesquisa recente da Universidade de Duke.
O mercado de títulos do Tesouro dos EUA, por exemplo, registrou inversões na curva de rendimentos nos últimos meses. Tais inversões, o fato de títulos de curto prazo pagarem uma taxa de juros maior do que as taxas pagas por títulos de longo prazo, são historicamente prenúncio de desaceleração econômica.
A realidade é que a estrutura financeira global está em equilíbrio instável e as dificuldades das autoridades monetárias sugerem que o quadro apocalíptico não pode ser ignorado
[BRAGA, 2019].

Roberts, economista britânico de perfil marxista, também argumenta que os banqueiros centrais estão se dando conta de que

a política monetária, seja a convencional [redução das taxas de juros] ou a não convencional [impressão de moeda ou ´flexibilização quantitativa´], não está funcionando na hora de fazer com que as economias saiam de seu baixo crescimento e pouca produtividade e evitem uma nova recessão [ROBERTS, 2019].

O autor segue argumentando sobre a ilusão estratégica dos porta-vozes da economia dominante:

Em minha opinião, nem os ´monetaristas´ nem os keynesianos/TMM têm razão. Nem uma maior flexibilização monetária nem estímulos fiscais poderão deter a recessão que se aproxima. Isto se deve a que não tem nada a ver com a débil ´demanda agregada´ [ROBERTS, 2019].

Estímulo keynesiano não pode evitar uma nova recessão, mais profunda.
Tais medidas, continua Roberts,

de gastos fiscais funcionaram, como exceção, na economia de guerra de 1940, quando o grosso do investimento foi público ou dirigido pelo governo, e a capacidade de decisão sobre o investimento industrial arrebatado das empresas capitalistas [2019].

Na economia capitalista, esgotam-se as opções diante da iminente agudização da crise global.

A estagnação tem impactado a indústria; ao mesmo tempo em que os títulos da dívida pública norte-americana, basicamente, passaram a oferecer mais remuneração aos títulos de longo prazo [embora haja uma tendência a se normalizar], um evidente prenúncio de mais recessão

A recente inversão nas taxas (e rendimentos) de títulos da dívida americana, com retornos menores para papéis de longo prazo, em relação ao rendimento dos títulos de curto prazo, trouxe mais um sinal de alerta.

A inversão, que ocorrera pela última vez no período que antecedeu à grande crise global de 2008, voltou a acontecer agora em agosto. Muitos atribuíram a ocorrência a um prenúncio de uma nova recessão na economia global[KUPFER, 2019].

No argumento desse mesmo comentarista econômico mainstream:

O aumento dos investimentos em papéis com juros negativos refletiria um mau presságio sobre a atividade econômica internacional. Já são mais de US$ 15 trilhões de aplicações com juros negativos — um volume sem precedentes –, a indicar que, diante das incertezas sobre o futuro da economia global, a busca por segurança está superando a atração pela caça de lucros [KUPFER, 2019].

De toda forma, a surpreendente aplicação de capitais mesmo a juros negativos e o retrocesso na produção das montadoras são importantes problemas em termos do crescimento.

Sinais de desaceleração da economia mundial estão se acumulando a cada dia. O mais recente é o da queda na produção industrial global mais acentuada e disseminada em pelo menos seis anos. O recuo está sendo puxado pela indústria automobilística [KUPFER, 2019].

E o governo, com seu limite para expandir ilimitadamente o déficit orçamentário não tende a tributar os grandes capitalistas e, por outro lado, aumentar mais ainda os impostos sobre os trabalhadores não soluciona o problema [contrai consumo]. Só lhe resta a cada vez mais precária política de medidas monetárias.

Isso no marco de uma economia que não cresce, de fato [há crescimento, mas débil e instável], o que esgota mais ainda sua política monetária.

Para além de que a contabilidade de variáveis fundamentais tipo investimento, produtividade ou o consumo permanecerem débeis, o déficit comercial anual chegou a um valor máximo em 2018, o impulso inicial dos recortes orçamentários impositivos esgota-se e as tendências da desaceleração da economia norte-americana permanecem sem mudanças qualitativas [BACH, 2019].

Ou seja, cada vez mais, o arsenal contracíclico ou de emergência econômica do governo se reduz à política monetária.

Quanto à chegada das taxas de juros ao negativo: eis um fenômeno sem precedentes na história do capitalismo e que tampouco pode ser solução para crescimento como mostra a experiência recente.

E, sem crescimento, o futuro do capitalismo aparece como um desastre.

Desse ponto de vista, o futuro da economia capitalista aparece sombrio. Nos Estados Unidos, o esgotamento dos efeitos da política monetária de Quantitative Easing [expansão da liquidez monetária, NT] e a evolução da dívida pública marcam os limites de uma política de alavancagem que não toca nas alucinantes desigualdades na distribuição de renda. O sobressalto japonês reduziu-se a nada, pelas consequências da catástrofe nuclear. Quanto à Europa, ela bate no muro com alegria [HUSSON, 2011].

E o crescimento do PIB mundial, por sua vez, mostra uma tendência sustentada à estagnação ou agravamento mais profundo da crise.

O elixir usado no início da crise, dez anos atrás, de injetar dinheiro público para salvar as grandes corporações financeiras “grandes demais para quebrar”, não apenas perdeu a sua eficácia como engendrou brutais dívidas públicas e diretamente tem a ver com a crise de estagnação econômica, com capitais sobreacumulados e sem encontrar a rentabilidade na produção.

Quanto ao capitalismo, sua postura só pode ser – e está sendo – a clássica: trata de descarregar sobre as massas com ajustes tarifários, cortes em todo tipo de proteção social, achatamento salarial, sem que, ao final, nada disso tenha efeito concreto na recuperação econômica.

O grande empreendimento neoliberal faliu, a chamada globalização veio abaixo sem que nenhum outro “modelo” possa ser apresentado pelo capitalismo.
Ao contrário, politicamente, o sistema vem reagindo através de governos de extrema direita, exacerbação do nacionalismo vis-a-vis uma esquerda, nova ou tradicional, por sua vez, que não tem apresentado saídas [e que tem levado adiante, em regra, um projeto de adaptação ao regime].

Em suma, economicamente, o capitalismo não deu qualquer resposta autossustentada à sua grande crise que se arrasta há uma década.
Apenas criou mais bolhas financeiras, mais dívida pública, mais recessão e mais déficit público. Aprofundou seu desbalanço geopolítico e terminou com a complementaridade da economia americana com a chinesa para abrir uma época de clara competição.

O próprio déficit norte-americano já anda na casa do trilhão de dólares e parece incontrolável [para que se tenha uma ideia, o PIB brasileiro foi de 1,8 trilhão de dólares em 2018 e o dos Estados Unidos 20,5 trilhões de dólares].

O déficit orçamentário dos Estados Unidos aumentou no ano fiscal de 2019 ao seu maior patamar em sete anos, ficando pouco abaixo do US$ 1 trilhão estimado no início do ano. [...], um aumento de 26% em relação ao déficit de US$ 779 bilhões do ano anterior [DOWN JONES NEWSWIRES, 2019].

Trata-se de déficit que vem crescendo em relação ao PIB, enquanto a receita cai em relação aos gastos públicos.

Michael Husson [2018] chama a atenção para um dos elementos de fundo desse processo, no qual, em que pese todas as respostas que os governos dos países centrais vêm dando à crise, nem a taxa média de lucro nem a produtividade [rendimento do trabalho] puderam ser resolvidos.

O dinamismo do capitalismo repousa, em última instância, sobre a capacidade de elevar os ganhos de produtividade, isto é, em sua capacidade de fazer crescer o volume de mercadorias produzidas em uma hora de trabalho.
Depois das recessões generalizadas de 1974-75 e 1980-82, os ganhos de produtividade foram se lentificando. Tornou-se passado aquilo que alguns qualificaram de “A idade de ouro” [para acentuar o caráter excepcional daquele período] ao capitalismo neoliberal, hoje ameaçado pela estagnação secular
.

Durante este período, o capitalismo conseguiu a proeza: restabelecer a lucratividade a despeito da lentificação dos ganhos de produtividade ilustrado pelo gráfico abaixo.

[Fonte: HUSSON, Michel, 2018. Crise economique et desordres mondiaux. Acessado em: 26/10/19. Disponível em: https://blogs.mediapart.fr/jean-marc-b/blog/231018/crise-economique-et-desordres-mondiaux-par-michel-husson [O gráfico mostra ganhos de produtividade ao longo dos anos, em distintas economias]

Sempre valendo lembrar que no caso de economias periféricas, como a argentina e a brasileira, problemas como a baixa produtividade estão conectados com a espoliação imperialista, somente podem ser entendidas no marco dessa lógica.

Não se trata de problemas puramente de baixa produtividade entre países, simplesmente. Se houver uma tentativa de explicação a partir do país, em si mesmo, a verdade é que ainda faltaria explicar o papel histórico dos investimentos de fora que engendraram tais diferenças

O que nos levaria, dentre outras coisas, a constatar que um efeito fundamental da ação das transnacionais patrocinadas por seus Estados imperialistas foi o de moldar as economias dos países dependentes e semicoloniais em função das necessidades do próprio capital imperialista [MAIELLO, 2019A].

Para não falarmos da espoliação pela dívida e o próprio peso de estruturas econômico-sociais perpetuadoras do atraso e da dependência, como argumenta Maiello [2019A], estruturas perpetuadoras da sangria imperialista.

Ao mesmo tempo, a anterior relação virtuosa, da era neoliberal, Estados Unidos-China alcançou seu limite e vem se tornando um problema, uma tensão estrutural para o conjunto do capitalismo, disputa entre potências.

A atual guerra comercial Estados Unidos-China, para além de sua cara comercial, expressa a mais profunda disputa, na esfera da tecnologia, de onde investir grandes capitais [quando o mercado se estreita] e, logicamente, tende a ir encontrando sua tradução em disputas geopolíticas de grande porte. E é consequência da recente evolução da economia mundial, onde a acumulação do capital acumulou suas colossais contradições.

No caso dos países imperialistas, “as guerras comerciais entre potências, o nacionalismo destes países centrais, “no fundo são explicados pela disputa pela primazia no desenvolvimento tecnológico em setores estratégicos”, portanto no marco da forte presença imperialista no centro do palco das nações, da geopolítica.
O que anula qualquer previsão de um horizonte pacífico no capitalismo.

O cenário internacional é, ao mesmo tempo, de feroz disputa imperialista por recursos naturais. Cada imperialismo trata de fortalecer sua localização na concorrência dos oligopólios.

O domínio das matérias primas, desde os combustíveis como o petróleo, gás, urânio e os recursos da mineração em geral,e também a água doce etc, constituem um privilégio fundamental para o qual o poderio militar é, indiscutivelmente, chave.
Seria impossível entender a geopolítica norte-americana e guerras recentes como a do Iraque ou a própria luta pelo domínio do O Médio, com suas centenas de milhares de mortos, sem levar em conta o fator chave – ainda que não exclusivo – do controle dos recursos energéticos.

Claro que não se trata apenas de intervenções militares diretas; no Brasil, por exemplo, a operação Lava Jato, articulada junto com o Departamento de Estado dos Estados Unidos teve, desde sempre, como um dos seus objetivos a apropriação das reservas petrolíferas do Pré-Sal para as multinacionais imperialistas [2019A]

Na verdade, esses são países dependentes de trações semicoloniais, como o Brasil e tantos outros da periferia, que garantem a reprodução do imperialismo, cobrem seus déficits fiscais, suas dívidas.

Esses elementos devem ser levados em conta no entendimento da crise econômica internacional.

Essa lógica tampouco pode ser entendida sem que seja levado em conta o poderio militar do imperialismo norte-americano.

Claro está que para que aquela posição do dólar não seja questionada são indispensáveis, em última instância, outra vez as armas. Por sua vez, Estados Unidos, União Europeia e Japão são a base de operações dos grandes bancos e instituições financeiras que drenam a riqueza do mundo periférico. Graças a isso, por exemplo, hoje a Argentina encontra-se, de fato, governada pelo FMI [MAIELLO, 2019A].

E, na base desse processo econômico, a crise seminal do sistema: incapacidade histórica de seguir acumulando capital no mesmo ritmo, ainda que no marco da produção colossal de desigualdade e da mais brutal sangria dos países dependentes.
Por exemplo, o capitalismo se deslocalizou em busca de força de trabalho mais barata na periferia, incluindo México, China, e antes os “tigres asiáticos”, mas o efeito dessa mundialização foi contraditório: há uma vastíssima acumulação de capitais fictícios que não são queimados desde a crise de 1973, também a de 2008.

Um hiato histórico entre a valorização do capital na produção e seu acúmulo fictício. Uma trava que impede ao capital de ampliar suficientemente sua base de valorização. Ao contrário, o espaço para sua valorização vem sendo reduzido ao mesmo tempo em que a esfera financeira chega a alturas que são insustentáveis ao longo do tempo.

Como denominador comum, seja para capitais chineses, norte-americanos, alemães ou japoneses, a imperiosa necessidade, expressa na política de todos eles, é a de forçar a classe trabalhadora a pagar a conta da crise deles.

Por sua vez, a falta de horizonte econômico e histórico para o sistema, se expressa na sua cultura decadente, na violência universal, no agravamento da desigualdade e também nos graves problemas sociais, no belicismo, na continuidade do consumo sem base de sustentação [via crédito]; mas também na indústria de entretenimento, no cinema da distopia, que só vê futuro na decadência, na hecatombe [de Blade Runner a Mad Max, até o atual Coringa].

O capitalismo opera como um colossal “exterminador do futuro”.
A gravíssima poluição desenfreada dos mares, das florestas [devastadas], das águas e dos alimentos não pode cessar no capitalismo, um sistema onde a acumulação do capital não pode se deter e, por isso mesmo, impõe a barbárie climática.

2 Política
Por essa razão, os chamados governos pós-neoliberais ou populistas de esquerda fracassaram [e sempre fracassarão], com sua estratégia de desviar o movimento de massas para a colaboração com o capitalismo, com a administração burguesa e seu balcão de negócios, na ilusão reacionária de achar uma “terceira via” ou, basicamente, alguma redistribuição sem alterar estruturas do capitalismo.
Lula, Evo Morales, os Kirchner, Rafael Correa, os neorreformistas do Syriza e tantos outros, cada um com suas particularidades, não passam disso: de aposta em pífias reformas de um sistema irreformável.

A crise econômica vai muito além do vão pensamento dos economistas do possibilismo [política da miséria do possível do neorreformismo], os quais, na recusa de uma saída com protagonismo de massas, do proletariado, insistem em consumar contrarreformas neoliberais, como o caso Lula, conciliar com as classes patronais, dar a mão a um sistema que não pode mais que agravar suas contradições. Lula continuou FHC, no sentido de não reverter qualquer privatização, na perpetuação da submissão da economia nacional ao tacão dos donos da dívida pública, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal e executando uma contrarreforma da previdência antioperária em 2003.

Um dos efeitos daquelas políticas econômicas do capitalismo, no marco da crise atual, vem sendo na esfera da política, a crise orgânica ou crise de hegemonia dos regimes burgueses.

Seus estadistas e o partidos tradicionais perdem credibilidade eleitoral, a burguesia deixa de conseguir sua hegemonia através de seus tradicionais partidos, desacreditados, todos, por suas nefastas políticas neoliberais.
A defesa explícita de tais políticas, de submissão ao FMI, não mais permite uma credibilidade para ganhar eleições.

Nesse vácuo, emergem outsiders da política, que se mimetizam como se fossem anti-sistema, a exemplo dos governos de estrema direita que ganham apoiando-se, como o caso do Brasil, na desmoralização da esquerda [tipo PT, PC do B].

O resultado desse processo tem sido a aparição de figuras presidenciais que procuram uma governabilidade através de sua bonapartização pela direita e extrema-direita, pela via do golpismo de todo tipo, em suma, de relações de classe onde o programa burguês senil, ultraneoliberal, precisa, na política, depender cada vez mais de forças institucionais sem voto [partido do judiciário, partido militar etc] para manter suas posições.

A crise econômica que vem desde 2008, com o fracasso de toda a empresa neoliberal ficou sendo o ponto de viragem que abriu caminho para o renascimento da extrema-direita. Que se lançou no vácuo de toda tentativa da esquerda de conciliação de classe, de governar para o capitalismo.

No entanto, como se vê na América Latina, tais países estão abertamente evoluindo para crise profunda, desencadeada pela sua impotência estrutural e mais abertamente pela eclosão da luta de classes.

As recentes jornadas populares e revolucionárias na América Latina mudam cenários e perspectiva. Governos de extrema-direita, neoliberais ao extremo [caso do Chile] estão sendo desestabilizados, em alguns lugares, por massas em movimento.
A burguesia acusa o impacto da crise econômica, seus cardeais econômicos vislumbram o desastre no horizonte econômico, e agora estão sob o horror [para eles], da entrada em cena da luta de classes, do protagonismo das “classes perigosas”.

Na economia,

a inquietação dominante resulta do fato de que não existe mais munição disponível. Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico assim se expressou: ´Quando a próxima crise se produza, nós descobriremos que não contamos mais com a margem de manobra fiscal ou monetária, sequer a vontade de usá-la. E nos faltará a necessária cooperação internacional [HOUSSON, 2018].

E, sobretudo, poderão não contar com a passividade das massas.

As jornadas revolucionárias no Chile são o ponto mais alto até o momento de um novo ciclo político que começa a atravessar a América Latina. Não se trata de um caso isolado, isso se dá no marco do retorno da luta de classes a nível internacional, que vem desde França e o Estado Espanhol, até Hong Kong, passando por Líbano, Iraque, dentre outros.

Suas causas são profundas. A crise de 2008 marcou um ponto de inflexão, a desigualdade que o capitalismo gera chega a níveis cada vez mais insuportáveis, os partidos tradicionais afundam, a chamada ´globalização´ está em crise e o nacionalismo das grandes potências está de volta [MAIELLO, 2019B]].

Teremos, portanto, a crise da hegemonia neoliberal [eleitoral, social, econômica] mas também a crise dos fenômenos populistas “pós-neoliberais” tipo Lula e seus pares de centro-esquerda na América Latina, que se sustentavam em assistencialismo e na reprimarização “bem sucedida” ao contar, conjunturalmente, com o mercado internacional favorável.

O princípio do século XXI assistiu à irrupção das massas, fazendo cair presidentes no Equador, Bolívia, Argentina e derrotando um golpe imperialista na Venezuela em 2002.

Esses processos foram desviados, dando lugar a um segundo ciclo, o dos governos ´pós-neoliberais´, que pôde sustentar-se graças ao ascenso econômico impulsionado pelo histórico boom das commodities [MAIELLO, 2019B]].

Esse ciclo se foi. E é sintomático que o Chile, pioneiro do neoliberalismo, um laboratório pioneiro para economistas ultraneoliberais formados nos Estados Unidos, se torne, com massas na rua, a porta escancarada do seu fracasso nos dias atuais.

Em uma época como a que vivemos, de processos convulsivos, a entrada de grandes massas em seu protagonismo histórico, político, dá como resultado uma aberta polarização social, de classe, com possibilidade de evolução de rebeliões a processos com centralidade da classe trabalhadora, com oportunidade para revoluções.

É precisamente nesse terreno que se dá, a céu aberto, a maior crise da humanidade, sua crise de direção política anticapitalista.

Existe uma esquerda habituada a promover ajustes neoliberais [os PCs europeus foram mestres nisso] a tentar governar preservando o capitalismo e sua acumulação do capital [como Chávez na Venezuela, Lula no Brasil, mas também o Syriza na Grécia e o Podemos na Espanha, cada um com sua história] desviando o movimento de massas para um beco sem saída.

Esse foi o papel da esquerda que assessorou Chávez, Lula, os Kirchner, na reacionária tentativa de uma saída de conciliação de classe.
A verdade é que toda esquerda que não acredita na mobilização da classe trabalhadora a não ser para se por detrás do nacionalismo burguês, precisa ser superada.

Somente dessa forma o ciclo de derrotas políticas e reacionárias pode ser superado.
A verdade é que toda esquerda que não acredita na mobilização da classe trabalhadora a não ser para se por detrás do nacionalismo burguês, precisa ser superada.

Não pode haver saída que não seja derrota para as massas quando a esquerda recorre à estratégia de aliança e administração do processo de acumulação do capital e seus podres poderes.

Processos atuais de intervenção de massas, como na França, Equador, Bolívia, Chile, a própria Argentina, e, em algum momento o Brasil, implicam em uma efervescência política, e, ao mesmo tempo, na emergência de uma vanguarda de massas.
No entanto, o que se vê na esquerda de maior visibilidade [a exceção, como veremos, vem sendo a FIT-U na Argentina] são crises e impasses, por sua experiência de negação da independência de classe do proletariado.

Na verdade, há dois impasses, que são críticos para o desenvolvimento do processo revolucionário [na América Latina, por exemplo].

O primeiro deles, uma tendência ao desenvolvimento de partidos amplos, sem qualquer delimitação anticapitalista, sem qualquer definição programática à altura da crise.

São partidos, como o PSOL, no Brasil, cuja direção tende a estender a mão à esquerda burguesa do regime, à conciliação de classe [como Boulos argumentando que a dívida pública não é um problema] e que, em geral, na esteira do nefasto legado petista de fazer política, alimentam a ilusão de algum tipo de neorreformismo.

Criticam o agronegócio, mas não organizam uma corrente pública pela sua expropriação e controle dos trabalhadores lado a lado com reforma agrária ali onde ela se impõe para o trabalhador sem-terra. Não mobilizam pelo fim da dívida pública e, ao contrário, alimentam perspectiva sem qualquer futuro, como é a da judicialização da dívida. E assim por diante.

São partidos que como regra, tomam o parlamento como seu centro de gravidade ao mesmo tempo em que as necessárias transformações sociais estruturais não costumam ser sua bandeira de luta. Tampouco se ocupam da classe trabalhadora e a construção de órgãos de autoatividade de massas.

A política do PC chileno neste momento de grandes mobilizações contra o governo Piñera, é típica: ao invés do chamado à greve geral imediata, da luta por uma Constituinte soberana, propõem indiciar judicialmente ao governo. Não se desprendem dos marcos do regime.

Não se trata de uma esquerda que tome como centro o protagonismo proletário. Nem um programa transicional anticapitalista, pelo fim da dívida pública, pelo pleno emprego para criar serviços sociais de massa, na saúde na educação, através da estatização dos tubarões da medicina e da educação.

Simplesmente operam a política do mal menor, de espúrias alianças com a burguesia, da miséria da luta institucional em si mesma.
Vejamos o exemplo do Chile.

A greve e as mobilizações no Chile, em outubro, estavam em marcha no mesmo momento em que a “esquerda do regime, o Partido Comunista e o Frente Amplo, com suas respectivas burocracias sindicais, estudantis e ´sociais´ redobraram abertamente seu esforço em se lançar em auxílio de Piñera para salvar sua cabeça” [MAIELLO, 2019N].

Do rechaço inicial enquanto os militares estivessem nas ruas, ao diálogo, PC e Frente Ampla, com suas respectivas burocracias, passaram a apoiar acordos com o governo.

O jogo político da esquerda chilena de mais peso tem sido esse, o de buscar os meios institucionais para salvar o governo e o regime. E desviar as organizações de massa para essa política.

Um dos principais referentes do PC, Camila Vallejos, enquanto festejava a meia sanção da jornada de trabalho de 40 horas na Câmara de Deputados, declarava que ´Não se trata de ser contra o presidente´. Uma esquerda do regime que deixou claro que, no máximo, se propõe a parasitar o movimento, mas de nenhuma forma desenvolvê-lo, sendo fundamental que nem o movimento operário e nem, sobretudo, o movimento estudantil, que foi protagonista, apareça com a força de suas organizações [MAIELLO, 2019B].

A operação de salvar Piñera foi claramente deflagrada em um claro desvio do movimento de massas.

Essa esquerda jamais fez o balanço até o final do seu papel no golpe genocida contra o governo de frente popular de Allende em 1973. Por isso seguem colocando as instituições capitalistas em primeiro lugar e subordinando a luta de classes a elas.

A política do PC de reduzir o ´fora Piñera´ a uma ´acusação constitucional´ para que sua destituição seja decidida no Senado, o diálogo com Piñera ´sem deixar ninguém de fora´, que impulsionam junto com a Frente Ampla, ou a Assembleia Constituinte nos marcos do regime atual proposta por ambos os partidos não são mais do que versões ´de esquerda´ para salvar as instituições.

Justamente porque, como se grita nas ruas, “30 não são pesos, são 30 anos”, não é possível impor uma saída a favor do povo trabalhador com os mecanismos do próprio regime herdeiro do pinochetismo [MAIELLO, 2019B].

Tudo isso é revelador da magnitude da crise política do proletariado no nosso tempo: suas direções políticas tendem a salvar o regime quando este mergulha em crise mortal; e pior, salvar o moribundo, já que estamos em uma época em que o capitalismo não tem grandes concessões econômicas a fazer.

Diante do ´malmenorismo´ [política do mal menor, NT] das variantes pós-neoliberais, a ação de massas mostrou como fazer retroceder aos ataques, tanto no Equador quanto no Chile. A burguesia se vê obrigada a fazer concessões para não perder tudo.

No entanto, não podemos abordar a situação atual da mesma maneira que as situações evolutivas anteriores, marcadas pela possibilidade de conseguir certas concessões sob o guarda-chuva do Estado e não lutando contra ele [MAIELLO, 2019B].

É imperiosa a avaliação de qual é a situação atual diante de tais processos de massas e tirar conclusões do que significa uma época de mudanças convulsivas bruscas.

Trata-se de mudanças bruscas nas relações de forças, situações de crises que podem evoluir ou não a situações revolucionárias, ser desviadas ou levar a saídas reacionárias. O resultado global desse ciclo não surgirá da somatória dos múltiplos resultados parciais; visto estrategicamente o que está sendo posto sobre a mesa é a possibilidade ou não de encerrar décadas de saque e abrir uma via revolucionária na região [MAIELLO, 2019B].

O segundo grande problema que revela um grave impasse da esquerda de maior visibilidade é o seu completo silêncio em relação ao maior obstáculo à moderna revolução social: a burocracia sindical em sua confluência com o Estado burguês [ou Estado integral de Gramsci].

No caso concreto do Brasil – e de cada um desses países – não se trata simplesmente de que existe uma divergência política da esquerda anticapitalista com a burocracia sindical, a exemplo da CUT no Brasil [a central estatizada por Lula e que fez um silêncio mortal, agora em outubro de 2019, diante da reforma reacionária da Previdência do governo Bolsonaro, por exemplo].

Na verdade, tais centrais burocratizadas [a CUT foi estatizada pelo governo Lula] não são tema, não chamam a atenção estratégica da esquerda em geral, para além de uma ou outra denúncia.

E esse, sim, é um seriíssimo problema para destravar a revolução.

Trata-se de uma burocracia que tem interesses materiais e por isso conflui com o sistema, defende com todas as suas forças ao capitalismo, para além de sua retórica “de esquerda”.

Está integrada ao capitalismo, presta-lhe o inestimável serviço de promover a divisão nas fileiras da classe trabalhadora e, concretamente, papel de polícia contra correntes revolucionárias no seio do movimento operário.

É preciso assinalar que hoje, mais que nunca, o papel chave da burocracia sindical passa por garantir a fragmentação da classe trabalhadora [precários e efetivos, sindicalizados e não sindicalizados, imigrantes e nativos etc]. E a isso é preciso agregar, na atualidade, o desenvolvimento de burocracias em outros movimentos de massas muito importantes [estudantil, de mulheres etc], em muitos casos sob a forma de ONGs, associações civis ligadas ao Estado etc [MAIELLO, 2019B].

Lutar conta os ataques do capitalismo aos direitos sociais e trabalhistas e, ao mesmo tempo, ignorar ou não ter política para os contingentes proletários, majoritários no caso, que seguem a liderança da burocracia sindical equivale a preparar derrotas.
Não há como se pensar seriamente a revolução ignorando a maioria do proletariado.
E, por conta disso, o papel da burocracia operária na de contenção da luta de classes.

Um processo fundamental vem ocorrendo há décadas: começando pelos sindicatos, trata-se do desenvolvimento da estatização das organizações da classe trabalhadora, das massas.

Na época imperialista, de concorrência pela exploração do mundo periférico, pelos privilégios de uma nação em relação a outra e para suas respectivas multinacionais, o Estado capitalista não pode limitar-se a ´esperar´ o consentimento das massas e se vê obrigado a organizá-lo. Daí que introduza, como nunca, seus tentáculos na ´sociedade civil´ [MAIELLO, 2019B].

Para dar conta disso, Antonio Gramsci soube desenvolver o conceito de ´Estado integral´, segundo sua controvertida fórmula: ´O Estado em seu significado integral: ditadura+hegemonia]”

Tanto Gramsci quanto Trotski assinalaram o papel de ´polícia política´ que a burocracia operária cumpre, como agente da burguesia no interior das organizações de massas. A ´aristocracia operária´ é caracterizada por Lênin como a base social mais sólida daquelas burocracias, por seus salários e por seu ´nível de vida´ mas também ´por toda sua concepção de mundo´ identificada com as ´classes médias´ [pequena burguesia] [MAIELLO, 2019B].

Esse é o debate que, junto com a necessária criação do partido revolucionário, deve ser pautado.

Nesse sentido, uma experiência a ser discutida nesse momento é a que está sendo levada adiante pelo PTS na Frente de Izquierda de los Trabajadores- Unidad [FIT-U]. Trata-se de uma frente político-eleitoral com base em um programa anticapitalista e de independência de classe.

Aqui, a experiência argentina, que se conforma como a grande novidade política e estratégica do nosso tempo, reflete um exemplo e um processo vivo rico em aprendizados para o conjunto da esquerda.

A FIT é uma aliança eleitoral principista com um programa claro de independência de classe, antiimperialista [como ficou evidente, por exemplo, no posicionamento da FIT contra o golpe na Venezuela sendo ao mesmo tempo críticos ao extremo de Maduro] e em luta por um governo dos trabalhadores, proposta que vem formulando nas mais diferentes situações políticas e da luta de classes que vem enfrentando durante os últimos oito anos.

E atravessada também, como seria de se esperar em uma frente de diversos partidos, por discussões de cada caso onde surgiram diferenças importantes, como por exemplo, em relação ao processo político na Venezuela ou no Brasil, dentre outras, assim como diferenças públicas quanto à prática de cada partido nos sindicatos, em relação à organização das colaterais ´piqueteiras´ e a administração dos centros e federações estudantis. No entanto, estas questões não impediram que fossem tomado posições políticas coerentes com o programa da FIT nos principais fatos da vida política [CRIVARO, MAIELLO, 2019].

Debater a FIT-U argentina pode ser, na verdade, uma via para a ruptura com a tradição dos partidos de tipo amplo [que incluem reformistas e revolucionários no seu seio] mas também para trazer ao debate político a esfinge da burocracia sindical [e também da burocracia dos movimentos sociais].

E também um livro aberto sobre a estratégia revolucionária.
O PTS vem levando adiante a tática de frente única operária [golpear juntos, marchar separados], uma tática que permite o acesso revolucionário à classe trabalhadora que ainda segue as centrais burocratizadas.

A FIT se coloca, na prática política, como uma força que desenvolve, no cotidiano, a independência política da classe trabalhadora, há oito anos e nas mais diversas situações da luta de classes.

A sua trajetória, de 8 anos de existência, nos quais se manteve como alternativa de independência de classe frente aos diferentes blocos burgueses nas sucessivas conjunturas políticas, converte a Frente de Esquerda em uma experiência inédita na história da esquerda argentina [CRIVARO, MAIELLO, 2019].

Hoje constitui a quarta força política nacional, com parlamentares que, a partir do congresso, impulsionam o verdadeiro centro de gravidade, isto é, o das lutas populares, operárias e de juventude; também de mulheres e LGBT.

Nestes dias que se passaram desde as eleições [refere-se às eleições prévias ou PASO] definiram um salto significativo na crise orgânica que a Argentina atravessa. Neste marco, a consolidação da Frente de Esquerda Unidade, com seus 700 mil votos, sua extensão em todo o país, e sua localização como quarta força política, como um polo independente de classe, anticapitalista e socialista, não é um dado menor, e mais ainda quando todo o regime tentou impor um cenário de polarização que terminou transformando-se em uma fenomenal onda de voto castigo ao governo, canalizada pelo peronismo, variante que absorveu a quase todas as correntes de centro-esquerda, dos ´movimentos sociais´ e da ´esquerda popular´ [CRIVARO, MAIELLO, 2019].

Nesse sentido é que se pode afirmar que, se a crise econômica é parteira de governos nacionalistas de extrema direita, que é sua “resposta” reacionária à crise econômica global [portanto, não-resposta para a classe trabalhadora], também é verdade – uma verdade tão concreta quanto os atuais processos de massas no Equador, Haiti, Chile etc – que o mesmo processo abre uma janela para a revolução proletária.

E explicita uma era de revoluções, crise sem precedentes do sistema e época de guerras [antecipadas pelas atuais fricções geopolíticas entre as potências e destas com países periféricos] e esperança apaixonante de pormos abaixo esse sistema que só pode gerar iniquidade, desumanidade e barbárie.

Referências:

[1] PATNAIK, Prabhat, 2019. A economia mundial em declínio, Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://resistir.info/ 22/Out/19 [ o original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2019/1020_pd/world-economy-decline]. Tradução para o portugues por JF.
[2] BARRIA, Cecilia, 2019. A próxima crise internacional pode ser pior que a de 2008? Acessado em: 27/10/2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43504687
[3] BRAGA, Carlos Primo 2019. Flertando com uma nova crise global? Acessado em: 26/10/19. Disponível em: https://valor.globo.com/opiniao/coluna/flertando-com-uma-nova-crise-global.ghtml?
[4] ROBERTS, Michael, 2019. El detonante de La nueva crisis mundial. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: http://www.sinpermiso.info/textos/el-detonante-de-la-nueva-recesion-mundial
[5] KUPFER, José Paulo, 2019. Roubini, o economista que previu a crise de 2008, está agora prevendo outra. Acessado em: 27/10/2019. Disponível em: https://josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/roubini-o-economista-que-previu-a-crise-de-2008-esta-agora-prevendo-outra/
[6] BACH, Paula, 2019. China-EE. UU.: la disputa comercial y lo que verdaderamente está en juego. Acessado em: 27/10/20. Disponível em: https://www.laizquierdadiario.com/Apuntes-sobre-la-disputa-comercial-y-la-relacion-chino-norteamericana
[7] HUSSON, Michel, 2011. O capitalismo precisa de férias Por Michel Husson 25/06/2011. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://www.cartamaior.com.br/?/Especial/Desordem-Financeira-Mundial/O-capitalismo-precisa-de-ferias/72/17097
[8] UN/DESA, Growth in world Gross product. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/dpad/wp-content/uploads/sites/45/publication/mb_feb2017_fig1.jpg
[9] DOWN JONES NEWSWIRES, 2019. Déficit do orçamento dos Estados Unidos atinge maior patamar em sete anos. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/10/25/deficit-do-orcamento-dos-eua-atinge-maior-patamar-em-sete-anos.ghtml
[10] HUSSON, Michel, 2018. Crise economique et desordres mondiaux. Acessado em: 26/10/19. Disponível em: https://blogs.mediapart.fr/jean-marc-b/blog/231018/crise-economique-et-desordres-mondiaux-par-michel-husson
[11] MAIELLO, Matias, 2019A. [Debate] Antiimperialismo y socialismo. A propósito de la respuesta de Charlie Post. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://www.laizquierdadiario.com/Debate-Antiimperialismo-y-socialismo-A-proposito-de-la-respuesta-de-Charlie-Post
[12] MAIELLO, Matias, 2019B. Chile y El nuevo ciclo de lucha de clases em America Latina. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://www.laizquierdadiario.com/Chile-y-el-nuevo-ciclo-de-lucha-de-clases-en-America-Latina
[13] CRIVARO, Octavio, MAIELLO, Matias, 2019. Apuntes sobre La consolidacion Del FIT-U, una novedad em la história argentina. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: https://www.laizquierdadiario.com/Apuntes-sobre-la-consolidacion-del-FIT-U-una-novedad-en-la-historia-argentina
[13] STEPHENS, Philip, 2018. Populism is the true legacy of the global financial crisis », Financial Times, 30 août 2018. Acessado em: 27/10/19. Disponível em: http://pinguet.free.fr/stephens818fr.pdf

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