Política

CRISE COMBUSTÍVEIS

A classe trabalhadora precisa entrar em cena: exigimos da CUT e CTB um plano de luta pelas demandas populares!

Marcello Pablito

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

quinta-feira 24 de maio| Edição do dia

A alta dos combustíveis se tornou um problema dramático para dezenas de milhões em todo o país. É fruto de uma mudança na base para o reajuste dos valores: sob a gestão de Pedro Parente (PSDB), trabalhando para os interesses do governo golpista de Michel Temer e das políticas privatistas, a Petrobras passou a basear o reajuste dos valores nas condições do mercado e para enfrentar a concorrência de importadores.

O bloqueio de estradas e portos por caminhoneiros toca um tema sentido por dezenas de milhões. Os combustíveis estão caríssimos. Porém esse sentimento está sendo expropriado por patronais que não estão nem aí para a população e nem mesmo para os caminhoneiros. Nenhuma das demandas toca nas condições de trabalho e salário dos caminhoneiros e se concentram somente no Diesel, não estão nem aí para quanto você paga na gasolina ou no gás de cozinha.

É preciso uma política independente dos patrões e ruralistas envolvidos na paralisação, para ser realmente capaz de responder aos ataques que o conjunto dos trabalhadores e da população sofre hoje, atacados diretamente com o aumento do preço de muitos outros bens de consumos ligados à logística dos transportes de cargas no Brasil.

O PT não pode apresentar nenhuma alternativa, já que nos seus 13 anos de governo mostraram quão enlameados estão em corrupção, assimilando os mesmos métodos da direita nas empresas como a Petrobras, e como mesmo em outro ritmo que Temer aumentavam sistematicamente os preços dos combustíveis fazendo a população pagar a conta dos lucros que distribuía aos acionistas privados.

As centrais sindicais, a CUT e CTB, precisam romper com seu imobilismo frente aos ataques de Temer, e encabeçar a mobilização colocando a classe trabalhadora em cena, se separando por completo das entidades e interesses patronais, que vêm usando os trabalhadores caminhoneiros como escudo para garantir seus interesses. Os petroleiros já aprovaram greve em todas as unidades do país, no entanto a Federação Única dos Petroleiros não organiza a greve, exigimos o início imediato da greve petroleiro como parte deste plano para que sejam os trabalhadores e não os patrões que deem uma resposta à crise dos combustíveis e do país.

Não podemos deixar que os patrões dirijam a imensa revolta dos trabalhadores e da população contra a alta dos combustíveis e por consequência de muitos outros bens de consumo. Os trabalhadores precisam entrar em cena para exigir a imediata redução de todos combustíveis. Até agora as centrais sindicais, inclusive a CUT, apoiaram acriticamente a paralisação, sem mover suas bases, sem organizar assembleias democráticas para que os próprios trabalhadores organizem uma saída à crise do preço dos combustíveis de forma independente.

A própria CSP-Conlutas, da qual fazemos parte, ao contrário de apoiar acriticamente a paralisação, deveria batalhar para incentivar a mais profunda desconfiança dos trabalhadores frente aos interesses dos patrões do transporte — que só querem mais subsídios para seus lucros, não se importam com a população — e lutar contra o ajuste nos preços com uma política de independência de classe. É com essa política, fazendo um chamado para a ação às grandes centrais, que unifique as fileiras dos trabalhadores para objetivos práticos de ação, que podemos dobrar a vontade dos golpistas.

A partir da entrada em cena dos trabalhadores que será possível dar uma resposta que atenda aos anseios dos caminhoneiros autônomos e daqueles que trabalham para grandes empresas — sem seus patrões — organizando o aumento do preço dos fretes conforme a inflação e estatização de toda frota das grandes empresas para construir uma grande empresa estatal sob controle dos caminhoneiros que garanta transporte mais barato e melhores condições de trabalho e salário para todos caminhoneiros.

Só a estatização sob controle dos trabalhadores pode garantir a diminuição dos preços de forma favorável ao povo

A redução dos combustíveis sem o povo ter que pagar novos impostos e beneficiar os empresários só pode vir de uma Petrobras 100% estatal, com administração dos petroleiros e controle popular. A privatização da empresa, que colocaria a definição dos preços e o volume de recursos da Petrobras nas mãos dos empresários estrangeiros significaria novos aumentos abusivos, e o controle da empresa pelos administradores e políticos corruptos que saquearam a Petrobras seja com os militares, o governo FHC ou nos governos petistas não é a solução para essa crise dos combustíveis.

Só assim, com um programa independente e sem apoiar subsídios aos patrões, se poderá reduzir o preço da gasolina e anular os aumentos criminosos. A Petrobras precisa ser retirada das mãos da burocracia, dos interesses dos governos pró-imperialistas e suas políticas de privatização e de entrega dos recursos brasileiros para exploração do capital estrangeiro.




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