Educação

EMPRESAS NA UNICAMP

A Unicamp e sede de lucros do capital monopolista com o conhecimento

Tentamos nesse texto compreender como Unicamp foi concebida enquanto projeto de educação superior no Brasil que é atravessado pelas empresas e seus interesses, em diferentes momentos históricos. O que é o Inova Unicamp (Agência de Inovação da universidade para às empresas) e porque devemos lutar contra a entrada de empresas privadas aqui dentro? Essas são algumas das perguntas que tentaremos responder nesse artigo.

sábado 5 de maio| Edição do dia

A universidade surge, nos países centrais, da necessidade da burguesia de superar os limites da velha ciência artesanal e limitada pela fé na Idade Média e dar lugar a razão pragmática, funcional ao capitalismo nascente naqueles países. Nos países semi-coloniais e atrasados, como é o Brasil, surge atrelada diretamente a consolidação do capitalismo, é a expressão histórica da produção de conhecimento e formação técnica dos profissionais para o mercado dos países dependentes. Em ambos os casos se necessita também da formação de quadros para a manutenção ideológica do capitalismo, enquanto um sistema dominante, e assim separando o trabalho intelectual do trabalho manual.

No Brasil, a tentativa de criação de universidades só vai se iniciar em 1920 com a criação da Universidade do Rio de Janeiro (URJ), e com as discussões da Academia Brasileira de Educação e da Academia Brasileira de Ciências sobre concepções, funções e modelos de universidade. A partir da reforma do ensino superior de Francisco Campos em 1931, se cria a Universidade de São Paulo em 1934 e a Universidade do Distrito Federal em 1935, e instituição da Universidade do Brasil (1937), ainda muito restritas e com objetivo de formar os filhos da elite brasileira. A expansão das universidades só vai ocorrer com uma reforma da ditadura militar em 1968, depois nos anos de governo FHC com foco nas universidades privadas e por último nos governos do PT que analisaremos adiante.

Unicamp: produção científica a serviço de quem?

A Unicamp é pensada somente em 1962 e sua construção começa em 1966, no governo do General Castello Branco e em plena ditadura militar, com as aulas se iniciando em 1969. O projeto inicial da Unicamp tenta ser um diferencial da criação das outras universidades no Brasil, no sentido de não ser concebida pela centralização de diferentes cursos, para tentar ser um centro de pesquisa.

Nas palavras de Fausto Castilho, um dos criadores da Unicamp e primeiro diretor do Instituto de ciências humanas, “uma universidade moderna, ao contrário do que reza a lei e os regulamentos, não é constituída de unidades de ensino-e-pesquisa, mas de unidades de pesquisa-e-ensino, pois na locução o conceito de pesquisa é determinante”. ¹ É diretamente com foco na pesquisa que a Unicamp se propõe enquanto modelo de universidade diferente das demais.

No site da Unicamp encontramos seus objetivos “ao dar ênfase à investigação científica, a Unicamp parte do princípio de que a pesquisa, servindo prioritariamente à qualidade do ensino, pode ser também uma atividade econômica. Daí a naturalidade de suas relações com a indústria, seu fácil diálogo com as agências de fomento e sua rápida inserção no processo produtivo.”

Não à toa a Unicamp foi construída em Campinas, uma cidade que estava situada na região que já naquela época detinha 40% da capacidade industrial brasileira e 24% de sua população economicamente ativa, assim em meio à ditadura militar, o conhecimento que começou a se produzir aqui dentro serviu diretamente para o boom do milagre econômico pautado na expansão da indústria de base (siderurgia, energia e petroquímica). Mas que para o restante da sociedade não significava nem uma massiva entrada da juventude dentro da universidade, nem fora dela uma redistribuição dos ganhos do dito “milagre econômico”, mas ao contrário numa gigantesca concentração de renda. Isso ocorreu, não sem resistência dos estudantes e trabalhadores da universidade, nas décadas de 70 e 80 contra tudo que significava a ditadura.

Hoje a RMC é um dos maiores pólos industriais do país. Com a universidade cumprindo um papel direto de formação de conhecimento que atende aos interesses dessas indústrias. São 66 cursos de graduação e 153 programas de pós-graduação, com 800 doutores formados por ano. No site da universidade, encontramos um tópico sobre sua história, que fala sobre a sua relação com a sociedade, mas quando vamos à leitura, a relação se dá somente com as empresas, e tem no Inova Unicamp seu grande exemplo.

O Inova Unicamp: a universidade servindo às empresas dizendo que serve à sociedade

Nos anos 2000, o projeto petista do “neodesenvolvimentismo” visava desenvolver o país aumentando a competitividade das empresas nacionais, para que se tornassem as novas global players do jogo econômico mundial. A partir da inovação e P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) essas empresas concorreriam de “igual pra igual” com as empresas internacionais, ao mesmo tempo que o Brasil abre os braços para o capital financeiro internacional com o objetivo de ser o país do investimento certo e lucrativo. É nas universidades públicas que se tentaria produzir as novas necessidades científicas do capitalismo brasileiro, com entrada massiva das empresas dentro das Universidades e parcerias público-privado sem fim.

Programas como Prouni, alavancou mega corporações de ensino como Anhanguera, injetando dinheiro público na iniciativa privada por meio das isenções de impostos em troca de bolsas de estudo, além do próprio FIES, que foi o principal programa de expansão do ensino, dando dinheiro aos tubarões da educação endividando a juventude. Essa expansão, com muito maior peso nas universidades privadas, levaram a uma maior divisão entre a universidade pública de excelência e as universidades privadas com menor qualidade para formar mão de obra especializada ganhando menores salários.

A Unicamp de “excelência” se tornou a melhor universidade da América Latina e conquistou esse título pelas inúmeras patentes produzidas, que no Brasil só concorrem com a Petrobras. A inovação e a tecnologia se tornaram a grande marca “Unicamp de conhecimento” e faz com que hoje cada vez mais empresas guiem o conhecimento produzido aqui dentro a serviço de seus interesses.

Exemplo disso é a Inova criada em 2003, com o objetivo direto de colocar a produção de invenções tecnológicas na universidade à serviço da implementação de inovação no mercado, com objetivo de melhor explorar a força de trabalho, obtendo mais-valia com discurso do desenvolvimento e colocando assim a universidade abertamente à serviço das necessidades do setor privado. Segundo o próprio site do Inova: “Trabalhar em conjunto com docentes, alunos e pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas é outra oportunidade disponível e que auxiliará sua empresa a chegar mais longe. A Inova Unicamp tem disponível a plataforma competências Unicamp, na qual é possível a prospecção de profissionais e as linhas de pesquisa da universidade que melhor atendam a demanda de sua empresa. A equipe de parcerias intermedia esse contato para firmar seu convênio.”²

Samsung, Pirelli, LG, Motorola, BASF, CPFL, Shell, Cargill e Monsanto são algumas das empresas hoje conveniadas com o Inova. Numa verdadeira venda de recursos públicos para as empresas nacionais e imperialistas, como a Shell e a Monsanto, a Unicamp vai produzindo desde as salas de aula da graduação até a pesquisa feita por pesquisadores e docentes, transferindo e guiando a ciência produzida aqui para os lucros bilionários dos capitalistas.

O Inova é o núcleo de inovação tecnológica da Unicamp, tem como objetivo a “proteção” das invenções dos professores e pesquisadores, para que estas só tenham alguma função real, se tiverem em parcerias com as empresas, gere assim toda a produção de tecnologia produzida na Unicamp. A partir da invenção de qualquer pesquisador, a Unicamp cria as patentes e oferece ao mercado.

Mas para os que não são pesquisadores, são “empreendedores”, a Unicamp ainda conta com a Incamp ³, Incubadora de empresas de base tecnológica, é o espaço que se dedica às empresas nascentes para estruturar os negócios e desenvolver tecnologia. Se os empreendedores ainda tiverem vínculos com a Unicamp, suas empresas contam com diversas facilidades na universidade, são consideradas “empresas-filhas”, que só no último ano teve rendimento de mais de 3 bilhões de reais. Além de tudo isso, a universidade ainda conta com um parque científico e tecnológico, onde as empresas podem se instalar, com o intuito de impulsionar a pesquisa em colaboração com a indústria.

O ideal de inovação e tecnologia para diversos setores da sociedade e da universidade, em nada tem a ver com a melhora da produção com o objetivo que atendam as necessidades da classe trabalhadora e de toda a população, como mostra a própria Inova, atende apenas aos interesses das grandes empresas para lucrar cada vez mais, além de se apropriar da produção de conhecimento de cada estudante e professor, vai seguir dentro das fábricas sempre tentando rebaixar os salários, aumentar as jornadas de trabalho, a fim de sempre aumentar a extração de mais-valia, sobretudo num momento de crise capitalista, onde a conta da crise somente é paga pelos trabalhadores.

A Unicamp na crise da ordem universitária mundial

É certo que as universidades brasileiras, sobretudo as “excelentes” estaduais paulistas, continuam formando os profissionais para o mercado e os ideólogos do capitalismo. Mas também é certo que o ensino superior conheceu uma expansão, precária e privatista, como nunca antes vista no Brasil, sobretudo nos governos do PT, levando a classe trabalhadora a aspirar o acesso à universidade como meio para se alcançar uma possível ascensão social. Essa contradição, ganha novos contornos e limites à luz da crise capitalista, que se abriu em 2008.

Uma crise que não é só mais uma crise cíclica do capital, mostra os limites da restauração burguesa em todo o mundo, colocando em xeque os projetos reformistas da América Latina. Não à toa, é também a partir desse momento que conhecemos massivas mobilizações da juventude em todo o globo com a Primavera Árabe em 2010, as lutas da juventude chilena em 2011, do movimento Occupy Wall Street, dos Indignados espanhóis, e da poderosa juventude francesa, que hoje segue travando batalhas contra Macron.

No Brasil, junho de 2013, é o maior exemplo do que chamamos desse fim do ciclo lulista, também nas universidades. Os sonhos do lulismo, da ascensão social por meio do acesso à universidade com programas como Fies, Prouni, Sisu, as cotas, o ciência sem fronteiras começa a se desmanchar, e com a crise econômica chegando ao Brasil não como uma marolinha, conhecemos o início de um processo que mostra os limites das políticas de expansão do acesso ao ensino superior, com cortes milionários de Dilma à educação e vários questionamentos sobre a “pátria educadora”.

Em 2016, a burguesia em crise de sua hegemonia, necessitou dar um golpe institucional no país para conseguir aprofundar ainda mais seus ataques, que do ponto de vista da educação deixa muito explícito a que veio, atacando qualquer ideia de expansão do acesso ao ensino superior, impõe crises orçamentárias às universidades, com o congelamento de gastos, cortes nos investimentos, e não à toa um dos seus primeiros projetos junto à necessidade de explorar mais a classe trabalhadora com a reforma trabalhista, é a PEC do fim do mundo que congela investimentos na educação e saúde, mas também a reforma do ensino médio, dividindo desde a escola aqueles que podem ir ao ensino superior e os que vão diretamente para os postos mais precários de trabalho, separando ainda mais o trabalho intelectual para poucos, do trabalho manual para muitos.

Nas estaduais paulistas, a conta da crise se expressa de forma distinta do resto do país, sobretudo na USP e Unicamp. Do ponto de vista da expansão do acesso, essas universidades sempre foram as “excelentes”, as universidades voltadas aos filhos da elite paulistana e portanto com suas portas fechadas à juventude pobre e negra. Mas também vivemos fortes mobilizações que questionaram esse caráter, como na Unicamp a ocupação da reitoria em 2013 contra a polícia no campus e em 2016 uma greve histórica que teve como reivindicação a política de cotas étnico-raciais, e contra os cortes orçamentários, junto com o posicionamento político contra o golpe institucional então em curso. Arrancamos a política de cotas e agora o que vemos é que a reitoria quer controlar a inserção dos pobres e negros para que seja a conta-gotas, além de atacar a permanência estudantil para que não possam permanecer na universidade.

Ou seja, se a reitoria por um lado foi obrigada pela luta dos estudantes a adotar as cotas, por outro vai atuar sempre com o objetivo de frear qualquer plano que mexa no elitismo da Unicamp para poucos, e que tem um lugar reservado aos negros, que é o do trabalho precário da terceirização. Mas a produção de conhecimento e pesquisas também foram atacados dentro da Unicamp, com cortes por exemplo em programas e bolsas do Cnpq, prevalecendo assim as pesquisas de interesse do mercado, e que são financiadas diretamente pela iniciativa privada, como vemos com o INOVA Unicamp, que seleciona laboratórios da Unicamp e pesquisadores de acordo com as necessidades das pesquisas requeridas pelas empresas.

Se o Inova Unicamp tem no governo Lula seu impulso, num momento de crise capitalista passa a ganhar outros contornos, ainda que as inovações sigam cumprindo um papel importante para a competitividade entre os capitalistas, há tendências também a que haja uma dificuldade do capital em conseguir absorver as inovações tecnológicas, com uma aparente contradição entre inovação e produtividade. Ou seja, a crise capitalista não é capaz de se resolver apenas produzindo inovação tecnológica. Nesse sentido, as reformas hoje que servem para atacar os trabalhadores têm um papel fundamental para a burguesia na tentativa de manter as taxas de lucro também aumentando a taxa de mais-valia absoluta.

Contudo, o Inova também serve na Unicamp, não apenas para produzir inovações, mas para facilitar qualquer relação possível entre a universidade e às empresas, oferecendo também às grandes multinacionais estrangeiras o caminho fértil para que as universidades brasileiras também produzam conhecimento diretamente para elas, ainda mais num momento em que essas empresas querem seu caminho livre para abocanhar o mercado brasileiro e sobreviver a crise.

Além disso, o INOVA e todo projeto da Unicamp é parte de formar os funcionários da hegemonia, ganhar as mentes dos estudantes, num momento em que essa hegemonia está em crise, para a manutenção de um projeto de universidade burguês, que tem nas 3 universidades paulistas uma função essencial para tal, sobretudo na Unicamp situada na num dos maiores pólos industriais do Brasil. Portanto, a Unicamp do ponto de vista da crise internacional do capitalismo, pode hoje cumprir um papel essencial à burguesia imperialista, mantendo a universidade restrita, atacando os direitos dos trabalhadores e dos estudantes e com toda sua produção científica voltada à essas empresas, como Samsung, Bosch, Shell. Não à toa no início deste ano, a Unicamp passou a sediar a criação do Centro de Pesquisa em Novas Energias financiada pela Shell, mesma empresa que no mês passado teve seus executivos nomeados por Temer a estar nos mais altos cargos da Petrobras, para diretamente entregar todas as riquezas nacionais ao imperialismo.

Qual a saída: voltar às universidades do lulismo ou lutar pela sua transformação radical?

Mais do que nunca, a crise capitalista mostra que universidades como a Unicamp são mais do que estratégicas para a burguesia nesse momento. É o seu grande laboratório econômico e político e mostra também que não podemos nos contentar com o programa petista de conciliação de classes, em que cada política já insuficiente, que aumenta os lucros dos empresários, soluça a cada novo momento de crise.

A única saída para a juventude que aspira um outro projeto de universidade, é enfrentar o capitalismo e a burguesia que utiliza a universidade a seu bel prazer. E para isso, precisamos defender um programa anticapitalista, que vá à raiz dos grandes problemas nacionais, diferente do que hoje é colocado pela velha esquerda conciliadora, como PT e PCdoB - que estão na direção da UNE, maior entidade estudantil da América Latina -, arrastando a esquerda que até ontem se colocava como alternativa ao petismo, como o PSOL. Não à toa o manifesto para reconstruir o Brasil, assinado por esses partidos, fala tanto de inovações, querem reeditar a estratégia petista, que ao contrário da industrialização, reprimarizou a economia e que hoje mostra seu fracasso, se adaptando às condições do neoliberalismo dominante.

A juventude, que ocupou às ruas no Brasil em 2013, e que se expressou nos movimentos estudantis das universidades e das escolas, mostraram que não só podem defender seus direitos mais elementares, mas que também podem questionar as verdadeiras prisões do saber, que são as universidades como a Unicamp. Prisões porque todo o conhecimento que produzimos aqui, ou morrem nos livros empoeirados, ou servem apenas às empresas, enquanto a população grita para que se resolva grandes problemas sociais, como a saúde, transporte, saneamento básico, moradia. Será que a universidade é capaz de produzir engenheiros, arquitetos, geógrafos, cientistas sociais, matemáticos, economistas que se coloquem à resolver os problemas mais candentes da população que é quem paga pela universidade?

Nós acreditamos que sim e por isso toda a tecnologia e conhecimento que é produzido aqui deve servir à toda a população e aos trabalhadores, estar nas mãos daqueles que sustentam a universidade todos os dias, a serviço de por exemplo hospitais públicos, de melhorar o caos do trânsito e do transporte público das cidades, os problemas das moradias urbanas, de levar peças de teatro, música, para as praças e espaços de lazer abandonados nos bairros mais pobres. Não é possível que os impostos pagos pelos trabalhadores sirva apenas para bancar laboratórios para a burguesia.

Mas para isso, precisamos enfrentar a estrutura universitária, hoje a reitoria e o Conselho Universitário só servem para manter e aprofundar a universidade de classe, um conselho que conta até mesmo com membros da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) mostrando a que interesses atendem. Por isso, não vemos nenhuma razão para que estes órgãos existam, os estudantes, funcionários e professores, de forma proporcional ao seu peso na realidade podem, melhores do que ninguém, gerir a universidade, e colocá-la livre das amarras dos interesses das empresas.

Além disso, as cotas que conquistamos a despeito do elitismo e racismo da reitoria, devem ser nosso ponto de apoio para avançarmos para o fim do filtro social e racial do vestibular. A Unicamp e todas as universidades do país devem abrir seus portões à toda a juventude e para garantir vagas à todos, precisamos estatizar as que hoje sugam o dinheiro público e os salários da juventude pobre, que são as universidades privadas, a começar pela Kroton Anhanguera que tem 70% de seu lucro oriundo do dinheiro público e que lucra com o endividamento de milhões de jovens, exigindo o perdão das dívidas da juventude que não consegue mais arcar com os custos do FIES.

Nós estudantes devemos estar lado a lado com os trabalhadores lutando contra a terceirização, que humilha e divide os trabalhadores e que em sua maioria são mulheres negras, e para que todos os que hoje são terceirizados possam continuar trabalhando como efetivos, sem a necessidade de um concurso público, defendendo que seus salários sejam o salário mínimo do Dieese, que é mínimo para se viver. Por isso construímos o grupo de mulheres Pão e Rosas dentro da universidade para dar um combate ao machismo dentro e fora da universidade em uma chave anticapitalista, para lutar contra o machismo e o capitalismo que a cada dia mata mais mulheres.

Assim como a universidade é estratégica para a burguesia na manutenção do capitalismo, nossa aliança com os trabalhadores também é estratégica se com eles, que mantém o funcionamento da universidade e da vida social, avançamos para questionar não só a universidade de classes, mas toda a sociedade de classes e pôr abaixo toda a miséria que essa sociedade representa. Assim, acreditamos que é possível disputar a universidade para que ela sirva aos interesses dos trabalhadores, e ser uma verdadeira faísca, apoiada nas lições históricas da juventude em 1968 que mostraram a aliança estratégia dos estudantes com a classe operária, ocupando suas universidades contra os ataques de De Gaulle e inspirando assim a milhares de trabalhadores também ocuparem suas fábricas, realizando uma das maiores greves gerais da história, e questionando a universidade que usurpava o conhecimento que os estudantes produzia para os lucros dos empresários.

Acreditamos que é possível cumprir um papel à altura dos desafios colocados para a juventude brasileira, um movimento estudantil que lute pelo direito ao futuro que hoje os golpistas querem nos arrancar e incendiar a classe operária deste país na luta contra a continuidade do golpe, avançando para defender um outro projeto de sociedade, um projeto livre de exploração e opressão e a ciência tem nisso um papel fundamental, quando não usada para os objetivos do capital.

Nossas energias não podem ir pro ralo com essas saídas reformistas que mantém o capitalismo, nos aprisionando a uma vida de opressão e exploração do trabalho, por isso chamamos todos a construir conosco a Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas na perspectiva de uma juventude revolucionária e anticapitalista na Unicamp que tenha em suas mãos um programa que possa enfrentar na raiz os grandes problemas nacionais e que tenha em seu DNA o anti-imperialismo, e a luta contra todo o massacre, espoliação e exploração que representa. Também é nesse sentido que construimos o portal Esquerda Diário na Unicamp, para as ideias anticapitalistas chegarem em cada vez mais estudantes, e que possa ser uma ferramenta para se avançar com as ideias marxistas no Brasil.

¹Castilho, FAUSTO. O conceito de universidade no projeto da Unicamp. Editora Unicamp. 2016

²https://www.inova.unicamp.br/painel-tecnologias/

³https://www.incamp.unicamp.br/




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