MAIO DE 1968 / 50 ANOS / DITADURA MILITAR / COMISSÃO DA VERDADE [Parte I de II]

A UnB no maio de 1968, os criminosos de Estado da ditadura militar e aliança estudantil-operária

Gilson Dantas

Brasília

terça-feira 17 de abril| Edição do dia

A Comissão da Verdade da UnB, anos atrás, teve o mérito de colher depoimentos de estudantes da UnB que foram ativistas perseguidos durante a ditadura cívico-militar [o que incluiu integrantes da FEUB, Federação dos Estudantes da UnB e que foram presos e torturados como foi meu caso].

Infelizmente, feitos os depoimentos, terminados os trabalhos, com participação de democratas sérios naquela comissão, os resultados foram “esquecidos”. E o tempo passou.

Propostas como as nossas, de denunciar e clamar por justiça contra os torturadores de Estado, pelo fim dessa Lei da Anistia na medida em que anistia terrorismo de Estado, foram devidamente engavetadas, e, por sua vez, os torturadores [criminosos de Estado] continuaram impunes, os generais e seus mandantes [empresários] permaneceram intocados.

O Estado repressivo seguiu seu curso, especialmente contra pobres, negros e mulheres, e hoje, vários generais afiam seus sabres acenando, de novo, com golpe militar. Portanto, aquele debate, levantado por aquela comissão, segue atual.
Neste vídeo/depoimento oficial, realizado em 10/10/2014, em auditório da Comissão da Verdade na UnB, teremos 9 minutos do depoimento de um setentista, ex-preso político da ditadura de 64 e que, indagado, discorre sobre a relação indissolúvel entre defender direitos democráticos e defender o pão, o emprego e a qualidade de vida; portanto, a atualidade da aliança operários-estudantes.

Explica como as barricadas de 68 na UnB, no Brasil, se alimentaram da grande barricada que foi a aliança operário-estudantil na França daquele ano. E que não podemos dissociar a luta contra o golpe militar naquele momento [e podemos estender para a luta contra o golpista Temer hoje] da luta em defesa dos terceirizados e dos cortes de verba, na nossa pauta de luta hoje. E em defesa da entrada maciça dos filhos da classe trabalhadora na universidade, por sua vez, pública e gratuita. Uma luta que deve ser travada de forma independente da reitoria [que se estivesse do nosso lado, colocaria suas forças e recursos a favor da greve, da ocupação e de nossas mobilizações e jamais demitiria terceirizados em nenhuma hipótese].

Você pode conferir os argumentos no vídeo abaixo [9 minutos] e também nos dois vídeos adicionais que constarão da segunda parte desta nota, no ED na próxima semana.

Video [10/2014]

[No trecho onde se menciona “estupradora”, leia-se “estuprada”]

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