Mundo Operário

METROVIÁRIOS DE SP CONTRA OS ATAQUES AOS NOSSOS DIREITOS!

70 metroviários de SP assinam manifesto em defesa dos direitos e contra a prisão de Lula

O manifesto é uma iniciativa do Movimento Nossa Classe, de levar um posicionamento independente sobre a prisão de Lula que seja debatido em assembleia do dia 12/04, assim como estabelece um plano de luta na campanha salarial para derrotar os ataques aos direitos.

terça-feira 10 de abril| Edição do dia

O Manifesto de Metroviários apresentado abaixo, que conta com 70 assinaturas de trabalhadores de diversas áreas, é uma iniciativa do Movimento Nossa Classe - Metroviários para que, neste momento de campanha salarial, os metroviários debatam e tirem um posicionamento contra a prisão arbitrária do Lula, em defesa das nossas liberdades democráticas de forma independente do PT.

Nele também está proposta para a campanha salarial, que seja um encontro de trabalhadores do transporte para unificação das campanhas em curso contra os ataques da reforma trabalhista. A proposta é que se debata esse posicionamento e outras medidas de luta e organização para a campanha salarial nesta quinta-feira, dia 12, em assembléia da categoria.

Leia o manifesto:

Manifesto de metroviários/SP para derrotar os ataques aos nossos direitos! Contra a prisão de Lula e em defesa das liberdades democráticas!

Estamos em meio a campanha salarial. O Metrô de SP faz chantagem com a categoria, e condiciona pontos pendentes da última campanha com o fechamento de um acordo que irá rebaixar nossos direitos historicamente conquistados com muita luta. A direção da empresa tem a cara de pau de dizer que não tem dinheiro! Querem que nós metroviários paguemos o custo da crise que eles criaram, com os bilhões desviados em licitações para o financiamento de campanha do PSDB, a entrega a preço de banana do sistema metroviário para a iniciativa privada e com o roubo diário de 4 reais da tarifa paga pela população.

Para isso, a direção da empresa se apoia na reforma trabalhista, aprovada no Congresso a partir do golpe institucional, que se aprofunda com a decisão do STF de permitir a prisão de Lula decretada pelo juiz Sergio Moro. Seria uma ingenuidade pensar que tal condenação arbitrária é uma ação contra a corrupção, sendo que foram os mesmos juízes do supremo que livraram Renan Calheiros e Aécio Neves recentemente.

Que “justiça” é essa que mantém presas numa dita “democracia” quase 300 mil, cerca de 30% da população carcerária, sem julgamentos?

Que “justiça” é essa baseada em prisões preventivas arbitrárias, vazamento de provas, depoimentos e gravações de escuta, utilizadas já permanentemente nos morros e favelas contra a população negra?

Que “justiça” é essa que permite manter demitidos os metroviários da greve de 2014 há mais de 3 anos, impedindo-os de retornar aos seus postos de trabalho?

Que justiça é essa que concede liminares taxando nossas greves como ilegais?

O que está em curso no país não é o “começo do fim” da impunidade, pelo contrário, trata-se de 11 juízes que ninguém votou, cheio de privilégios, decidirem sobre o direito democrático da população em votar em quem quiser para fortalecer uma instituição historicamente seletiva como o judiciário que arbitra pra quem aplica melhor os ataques contra nós. Cujas ações hoje vão se reverter ainda mais contra os trabalhadores e toda a esquerda amanhã.

Seria manter um enorme erro não pautar essa conjuntura na nossa campanha salarial, pois não podemos deixar nas mãos do STF, de Sergio Moro e dos políticos corruptos os rumos do nosso país, os mesmos que vão atacar as conquistas que tivermos. Tudo o que os poderosos querem é que fiquemos calados, por isso segue impune o assassinato de Marielle Franco, mulher negra, vereadora e da esquerda, e segue impune os responsáveis pelos tiros a caravana de Lula. Querem justamente fortalecer as ações da direita com a continuidade do Golpe no STF.

Mas nós não ficaremos calados...

Esse avanço do golpe só foi possível até agora, pois o PT que abriu caminho para a direita nos seus anos de governo e depois perdoou os golpistas, também entregou as ruas para eles. Vale lembrar, que as ameaças do General da Reserva do Exército de que “reagiria em armas” caso fosse impedida a prisão de Lula, as manifestações do MBL e Vem para Rua e a campanha da grande mídia Globo, Folha e Estadão, foram respondidas pelo PT e PC do B mais uma vez com confiança nas instituições,. Ficaram torcendo para os votos dos juízes, e no máximo convocaram “vigílias” inofensivas. Não querem resistir. Não se podia esperar outra coisa de partidos, que durante 13 anos governaram e enriqueceram “como nunca antes na história desse país” os capitalistas, chegando ao ponto de promover o avanço da terceirização, ataques e reformas como as mesmas que estão sendo aprofundadas hoje e aceleradas com o golpe institucional, além de garantir a impunidade de militares torturadores.

Esse sim é o verdadeiro e correto julgamento que os trabalhadores devem fazer de Lula, do PT e seus aliados como o PC do B. E não o julgamento seletivo de classe do STF, com a arbitrariedade da Lava Jato e pelas mãos de Sergio Moro.

A radicalização dos setores da direita contra os nossos direitos deve ser respondida com radicalização a altura da força da classe trabalhadora. Basta de trégua da CTB e CUT com os golpistas e as demais centrais sindicais aliadas como a Força Sindical, UGT e Nova Central. Já passou da hora de fazer o Brasil tremer, convocando assembleias democráticas nos locais de trabalho contra a arbitrária prisão de Lula, em defesa das liberdades democráticas do povo decidir votar em quem quiser e contra os ataques do governo aos direitos dos trabalhadores.

A empresa não trata nossas demandas sindicais separadas da política, por que nós temos que separar?

A luta pelas nossas reivindicações necessariamente passa por combater aqueles que controlam o Metrô de SP e tem em suas mãos o destino da política do nosso país.

Não propomos desviar o foco da campanha salarial, mas sim propomos uma estratégia para vencer o duro combate contra o governo e a direção da empresa, exigindo do sindicato setoriais na base e um chamado a unificação das campanhas salariais das demais categorias de transporte em defesa das pautas de reivindicações e do acordo coletivo.

A reforma trabalhista não será aplicada! E nossas liberdades democráticas não serão atacadas!

Por isso, para a próxima assembleia no dia 12/04, propomos:

1- Contra a prisão arbitrária de Lula e pelo direito do povo decidir em quem votar.

2- Uma carta de exigência as grandes centrais sindicais para que organizem um plano de luta imediato.

3- Chamado a um encontro, com trabalhadores eleitos na base para unificar as campanhas salariais das categorias de transporte, em defesa dos nossos direitos e contra os ataques da reforma trabalhista!

4- Fazer setoriais em todas as áreas para debater esse temas e organizar ações.

Assinam esse manifesto:

1-) Guarnieri - OTM 2 Tráfego L1

2-) Francielton - OMID (MEC) PAT

3-) Fabrício Barros - OTM 1 DEO

4-) Daphnae - OTM 1 PSE

5-) Rodrigo Tufão - OTM 1 JQM

6-) Fernanda Peluci - OTM 1 GBU demitida política

7-) Marília Rocha - OTM 2 Tráfego L3 demitida política

8-) Isabela - OTM 2 Tráfego L1

9-) Larissa - OTM 1 TRI

10-) Aguiar - OTM 1 de BFU Demitido Político

11-) Cassio – OTM 1 DEO

12-) Xavier Silva- OTM 2 Tráfego L2

13-) Caroline Barros- Jovem Aprendiz JQM

14-) Gabriela Chavez- OTM 1 CDU

15-) Yane - OTM 1 PSE

16-) William - Jovem Aprendiz JQM

17-) Fabio Ueda- OMID (MEC) PAT

18-) José Luiz Bernardes - OMID (PIN) PAT

19-) Beatriz Mestriner- OTM 1 REP

20-) Hélio Reis - OTM 2 Tráfego L1

21-) Renise Albuquerque - OTM 1 JQM

22-) Marcia Toledo- OTM 1 JQM

23-) Juliana Tuane- OTM 1 JQM

24-) Bruno Ozzetti- OTM 1 TUC

25-) Maria Lúcia Silveira- OTM 2 JQM

26-) Eliana Silva- OTM 2 SCZ

27-) Kátia Moura - OTM1 TOT

28-) Alexia - Jovem Aprendiz de PSE

29-) Sean - OTM 2 Tráfego L5

30-) Artur Lessa- OTM 2 VGO

31-) Sergio Lopes OTM 1 JQM

32-) Naomi Alessandra Takeuchi OTM 1 BTO

33-) Alírio Alves Junior Usin. Ferram. PAT

34-) Robson Gustavo de Lima Mendes OMID (MEC) PIT

35-) Alexssandro OMID (MEC) PAT

36-) Ismael OMID (MEC) PAT

37-) Andressa Alves- OTM 2 Tráfego L1

38-) Wheberton- OTM 2 Tráfego L1

39-) Luciano Souza- OTM 2 Tráfego L1

40-) Rodrigo TRC POT

41-) Ronaldo Trianotti TSM III PAT

42-) Camila Pivato- OTM 1 BTO

43-) Tarcisio Moura- OTM 2 Tráfego L1

44-) Felipe Assis- OTM 1 JQM

45-) Silvio Pascoal Evangelista OMID (ELE) PAT

46-) Fernando Salles- OTM 1 PSE Demitido político

47-) Shigueko Nagamine - OTM 1 SCZ

48-) Ana Caroline- Jovem Aprendiz SCZ

49-) André "Selva" Pereira- OTM 1 PEN

50-) Marcelo Santos OMID (Ele) PAT

51-)Júlio Cesar dos Santos Silva Barra Nova Of. Log I PIT

52-) Gabriel Amorim - OTM 1 PSE Demitido Político

53-) Filipe Amorim - OTM I BTO

54-) Adriano Souza- OTM 1 BTO

55-) Felipe Rodrigues- OTM 2 Tráfego L1

56-) Soraya Cristina- ASM 1 JQM

57-) Marcelo Faria- OTM 1 SE

58-) Laura- Jovem Aprendiz DEO

59) Rinaldo Marin - OTM 1 PSE

60) Cícero Carlos - OTM 1 PSE

61) Anny - OTM 1 TAT

62) Carlos Lembo - OTM 2 Tráfego L1

63-) Guiherme Almeida- OTM 1 BTO

64-) Josiane- OTM 2 Tráfego L3

65-) Dulcemara- OTM 2 Tráfego L3

66-) Sergio Luiz Pozo- OMID (MEC) PIT

67-) Bruno César- OMID( ELE) PAT

68-) Leonardo Correia - OPS L3 ITQ

69-) Jurandir Caetano Messias (OMID- PIN) PAT

70-) Inacio Borges de Carvalho (OMID-PIN) PAT




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