Internacional

ELEIÇÕES ALEMÃS

7 chaves para entender o triunfo amargo de Merkel e o ascenso da ultradireita

segunda-feira 25 de setembro| Edição do dia

1. Merkel triunfa porém realiza a sua pior eleição. A social-democracia está em crise. Há um grande crescimento da extrema direita que adentra o parlamento. As maneiras como a política alemã modificou o resultado eleitoral.

(Com base nos informes e análises de Stefan Schneider, dirigente da Klasse Gegen Klasse a partir de Berlim.)

O resultado eleitoral foi mais surpreendente do que o esperado. O maior destaque da jornada foi a perda por parte de Merkel de uma margem de quase 10%, além do ascenso da ultra-direita que ingressa pela primeira vez ao parlamento. Quais implicações imediatas terão esses resultados?

Merkel, que foi reeleita para um quarto mandato consecutivo, viu seu partido, a União Democrática Cristã, sofrer um retrocesso importante nos comícios. A CDU, em conjunto com os bávaros da CSU obtiveram 32.5%, quase 10% a menos do que o conquistado em 2013 quando tiveram 41.5%.

2. No caso dos social-democratas do SPD, que até então faziam parte da coalisão de governo conhecida como a "grande coalisão", tiveram a sua pior eleição na história, retrocedendo aos 20% (ao passo que há quatro anos atrás já se localizavam em uma posição desfavorável de 25.7%).

Os dois grandes partidos da Alemanha estão debilitados como nunca antes desde que se deu início à República Federal. Logo após esta eleição, caíram dos 80% das bancas parlamentares que possuíam para cerca de 53% das mesmas. Isto abre dúvidas a respeito de quem faz parte desta nova coalisão de governo.

3. A grande novidade é o ingresso da extrema direita ao Bundestag (parlamento). O pratido Alternativa pela Alemanha (AfD) obteve cerca de 13%. A ultra-direita transforma-se, assim, na terceira força política no Parlamento alemão.

O partido liberal, que há quatro retrocede ao ponto de não almejar mais o ingresso no parlamento, recuperou-se e alcançou os 10%, se colocando como um novo aliado para o governo de Merkel.

Para sustentar um governo estável, Merkel precisa manter a coalisão com o SPD. Entretanto, os líderes social-democratas, logo após falarem sobre um momento "difícil e amargo" para o SPD, anunciaram que o governo de "grande coalisão" com os conservadores terminou.

A social-democracia neoliberal pagou caro pela sua participação no governo junto de Merkel durante os últimos quatro anos e, enquanto os anúncios após os resultados falam de rompimento da coalisão, setores deste partido como o presidente de Estado, poderiam ser resistentes a uma ruptura com Merkel.

Diante da impossibilidade de reeditar a "grande coalisão", se abre a possibilidade de se conformar uma nova coalisão, chamada "Jamaica" (preto-amarelo-verde) por conta das cores dos partidos conservador, liberal e verde. Uma coalisão deste tipo, somada à atuação do SPD como oposição, seria muito menos estável e muito mais difícil no novo governo de Merkel.

O crescimento da ultra-direita da Alternativa pela Alemanha, significa que uma formação de extrema direita se incorpora ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o pós-guerra. Seu crescimento foi estimulado pelas políticas do governo que favoreceram a xenofobia contra os refugiados e o islamismo. Seu crescimento resultou em uma guinada à direita em todos os programas de todos os partidos nestas eleições.

4. O ascenso da extrema direita alimentou o chamado para a "unidade" de todos os partidos contra a ultra-direita, desde os conservadores até a esquerda reformista do Die Linke. Este chamado a enfrentar a ultra-direita com a união de todos os partidos do regime alemão somente fortalece o governo de Merkel e debilita a oposição pela esquerda de maneira oficial.

No caso da esquerda moderada de Die Linke, havia um grande nervosismo em sua sede, uma vez que mantém um estancamento eleitoral contínuo enquanto todo o descontentamento com Merkel é capitalizado pela extrema direita.

5. As eleições também colocam dúvidas a respeito de como será a política exterior do governo alemão. Até agora, com a "grande coalisão" de governo, se promoveu uma política de militarização interna e externa, aumentando o rol geopolítico do imperialismo alemão. A nova coalisão de governo será mais instável que a anterior, em um momento em que o governo imperialista alemão enfrenta novos desafios e contradições em escala mundial.

6. A esquerda reformista, representada pelo Die Linke (formação derivada do antigo Partido Comunista Alemão, stalinista), não soube aproveitar a debilidade da social-democracia que teve seus piores resultados em muitos anos. Longe de poder capitalizar nisso, Die Linke também perdeu parte de seus votos por conta do avanço da extrema direita da Alternativa pela Alemanha.

7. Para derrotar o giro à direita e frear o ascenso da extrema direita, a política do Die Linke, ao depositar confiança no parlamento, se mostrou imprestável. O ascenso da AfD demonstrou uma vez mais que somente uma alternativa combativa nas ruas e nas fábricas, universidades e colégios, uma organização revolucionária dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, é capaz de barrar a ’direitização’.




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