Educação

ELEIÇÕES DCE DA UERJ

5 motivos para votar chapa 2 para o DCE da UERJ

As eleições para o DCE e representantes nos conselhos da UERJ vão acontecer entre os dias 18 e 20 de junho. Trazemos aqui 5 motivos para votar na chapa 2 – Quero me livrar dessa situação precária, composta pelos coletivos Faísca, RUA e Coletivo Negro Patrice Lumumba, junto a estudantes independentes de diversos cursos.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ

segunda-feira 18 de junho| Edição do dia

As eleições para DCE e conselhos ocorre em meio à pior crise que a UERJ enfrentou em sua história, sendo recorrentes os atrasos de bolsas e salários e até mesmo a ameaça por parte do governo de fechar a universidade. Por isso, é fundamental termos uma entidade estudantil à altura desses desafios.

1- A atual gestão, cuja continuidade se expressa na chapa 1 – A UERJ vale a luta, representa a manutenção do que o DCE tem sido nos últimos cinco anos. Composta por grupos políticos como o PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude, ela expressa no DCE a mesma política que essas organizações colocam nacionalmente, e, com uma concepção que se pauta na conciliação, são incapazes de levantar um programa que aponte para a solução da crise da UERJ, que está absolutamente ligada à crise do RJ e do país. Vemos a mesma estratégia absurda que essas organizações levam adiante na política nacional e no movimento dos trabalhadores: muita conciliação com nossos inimigos, muita enrolação e conversa, e nenhuma disposição de organizar efetivamente os estudantes em cada curso para que sejam protagonistas da luta em defesa da UERJ e com um programa capaz de dar uma resposta de fato para a crise.

Durante todo o período do governo golpista de Temer, o DCE simplesmente desapareceu e não organizou nenhum tipo de resistência; é análogo ao que fizeram nacionalmente, quando, depois da imensa expressão de resistência e disposição de luta mostrada pela classe trabalhadora na paralisação de 28 de abril de 2017, as centrais sindicais dirigidas por esses grupos (CUT/PT e CTB/PCdoB) abandonaram a luta, o que se expressou com toda a força no dia 30 de junho, com uma “paralisação” que nunca chegou a acontecer por responsabilidade dessas direções.

Para além disso, a democracia na entidade dos estudantes é nula. Sequer cumprem a obrigação mais elementar de convocar eleições anualmente, sendo que a última foi há mais de um ano e meio, no final de 2016. Tratam a entidade como se fosse “sua”, e não dos estudantes.

2- A chapa 2 apresenta um programa para ir à raiz dos problemas da UERJ. É impossível hoje pensar na crise profunda que a universidade atravessa sem olharmos para a crise do RJ em sua totalidade, e inclusive nacionalmente. Um terço da renda do estado vem do petróleo, ou seja, da Petrobrás, e essa empresa estatal vem sendo duramente atacada por uma política de entrega ao capital estrangeiro nos últimos anos. A começar pela “Lei Serra” que tirava a exclusividade da Petrobrás na exploração do Pré-Sal, e que foi fechada em acordo com o governo Dilma (mais uma vez mostrando a conciliação do PT com nossos inimigos que vai do governo nacional ao nosso DCE). Mas os ataques à Petrobrás ganharam muito peso com o avanço da Lava-Jato que, longe de querer “acabar com a corrupção”, queria jogar a Petrobrás na lona para facilitar sua privatização. E para isso agiu o governo Temer, vendendo refinarias, liberalizando o preço dos combustíveis e fazendo de tudo para garantir que o petróleo que financia a UERJ e tantas demandas sociais fosse direito para o bolso dos acionistas da Shell, Exxon e outras empresas bilionárias do ramo. Por isso, queremos colocar o DCE e os estudantes da UERJ, somando-se com os trabalhadores, na linha de frente da luta por uma Petrobrás 100% estatal.

Mas não basta ser estatal, pois como sabemos, um governo após o outro transformou essa fonte de riqueza em um ninho de corrupção a serviço da troca de favores entre políticos e empresários. O dinheiro público escoa pelo ralo da corrupção, e para acabar com isso é necessário que toda a Petrobrás gerida pelos petroleiros e controlada pelo povo, que são os grandes interessados em que essa riqueza seja efetivamente para melhorar a vida dos trabalhadores.

3- É fato que Petrobrás é uma peça chave na economia do RJ e do país, mas não podemos achar que a luta se encerra aí. Uma das grandes causadoras dos ataques dos patrões e o maior roubo aos cofres públicos é a chamada “dívida” pública. Colocamos “dívida” entre aspas porque se trata de uma grande mentira para seguir colocando no bolso de especuladores milionários o dinheiro da saúde, educação, previdência etc. Contraída desde os tempos do Império, o suposto valor já foi pago centenas ou milhares de vezes, mas o total a pagar só segue aumentando, por uma montanha de juros que representa um ralo aberto por onde escorre todo o dinheiro arrecadado pelo governo. Gastamos mais de um trilhão de reais por ano, dinheiro suficiente para, por exemplo, custear 1000 UERJs. A chapa 2 quer levar adiante um debate profundo sobre essa questão para construir uma grande luta pelo fim do pagamento da dívida pública.

Tanto a questão da Petrobrás quanto da dívida pública são fundamentais para combater o absurdo e falso argumento dado por reitorias e governos de que “não tem dinheiro”. Tem, e muito, mas estão no bolso de parasitas que roubam ele dos trabalhadores e do povo. Enquanto eles lucram milhões hoje a UERJ não tem o mínimo, como papel nos banheiros, água nos bebedouros e iluminação no hall. A luta por permanência, como pelo fim da reavaliação das bolsas, reabertura dos laboratórios de informática, retomada das bolsas cortadas, aumento do número de bolsas, e aumento do valor das bolsas, é fundamental para manter e ampliar o caráter popular da UERJ, levando bandejão, creche e moradia a todos os estudantes. Tudo isso precisa de autonomia financeira, e por isso as questões que levantamos acima são fundamentais.

4- A chapa 2 quer pautar esses debates para resolver a crise de fundo da UERJ, aliando isso a uma permanente luta dentro da universidade para que ela esteja a serviço dos trabalhadores. Isso significa, em primeiro lugar, levantar uma luta contra os que representam uma universidade antidemocrática, elitista e excludente dentro da UERJ: a reitoria e o Consun, que mandam e desmandam na universidade, chegando a reprimir os estudantes com muita truculência e jatos d’água quando vão contra seus interesses, como ocorreu em 2015 por ordem da reitoria de Vieiralves. A reitoria chega ao cúmulo de não respeitar sequer a própria estrutura de poder autoritária e antidemocrática da universidade, convocando os conselhos apenas quando quer, como Rui Garcia, que passou a convocar um “fórum de diretores” que sequer é um órgão previsto em estatuto e deliberando tudo ali com a mais alta burocracia universitária. Escondem para onde vão milhares de reais dos aluguéis de estacionamento e outras verbas que poderiam custear bolsas e permanência. Mantém todos os campi fora do Maracanã sem bandejão; mantém estudantes sem moradia e sem creche; são coniventes com absurdos como o caso de machismo do professor da disciplina “Gestão Democrática” que expulsou uma estudante de sua aula pois ela estava com seu filho (já que não há creche para as mães).

Por cada uma das lutas por permanência, a chapa 2 estará na linha de frente. Mas para conquista-las é preciso também levantar a luta contra essa estrutura de poder da universidade que mantém as coisas como estão. Colocamos a luta pela convocação de um Congresso Estatuinte livre e soberano, em que os três setores possam refazer completamente o Estatuto da universidade (de 1988), para que tenhamos voto universal, com o mesmo peso para todos independente de sua categoria, e que a universidade tenha uma gestão dos três setores de acordo com a proporção que tem na comunidade, ou seja, que os estudantes sejam maioria. Assim podemos conquistar essas demandas, mas também questionar a fundo o papel da UERJ, seus currículos, suas pesquisas, a serviço de que estão e quem decide o que é feito.

5- A luta por democracia estudantil, por um movimento vivo e ativo dos estudantes que se alie com os trabalhadores dentro e fora da universidade é o nosso horizonte. Em primeiro lugar democratizando a gestão com a proporcionalidade, que garante que o DCE tenha em sua composição todas as chapas que concorrem à eleição de acordo com a proporção de seus votos, para que represente efetivamente as posições políticas dos estudantes. Convocando assembleias estudantis frequentes e bem divulgadas, onde os estudantes debatam e deliberem sobre suas posições de forma soberana, sem que as decisões sejam tomadas a portas fechadas por grupos que negociam pelas costas do movimento com a reitoria e governos.

Para além da chapa 1 e sua conhecida postura burocrática, vemos na chapa 3 (MEPR e independentes) a representação de uma concepção de um movimento que se recusa a querer somar todos os estudantes em grandes lutas para conquistar nossos objetivos. Querem um movimento estudantil que seja "seu", e não à toa isso se expressa em sua defesa da uma gestão com majoritariedade (composta apenas por uma chapa) e em seus métodos absurdos de depredar cartazes e faixas de campanha de outras chapas, em uma demonstração de total desrespeito à democracia dos estudantes. Já a chapa 4 (PSTU e independentes) é absolutamente incapaz de ter qualquer postura séria de luta em defesa da UERJ, já que tem à sua frente uma organização que sequer compreende que houve um golpe institucional em nosso país, que agrava a cada dia os ataques contra os trabalhadores. Que segue com essa cegueira política ao não pedir que essa "justiça" - que foi cúmplice do golpe e segue sendo, com a prisão arbitrária de Lula enquanto tantos corruptos de outros partidos seguem completamente impunes - seja o agente de levar adiante um combate à corrupção, sem ver que sob essa máscara se esconde o interesse de vender a Petrobrás ao capital estrangeiro e, com isso, inclusive minar o orçamento da UERJ.

A UERJ é uma das universidades públicas com maior composição de jovens trabalhadores ou filhos de trabalhadores, negros, estudantes vindos das escolas públicas. O seu movimento estudantil deve estar na linha de frente da luta ao lado dos trabalhadores, e a chapa 2 se orgulha de ser composta por setores que estiveram lado a lado da luta dos terceirizados da UERJ. Queremos um DCE radicalmente democrático, com um programa que aponte soluções de fundo para os problemas da universidade, que se ligue aos trabalhadores e suas lutas e possa colocar os estudantes em movimento por uma universidade a serviço dessa classe e do povo pobre.




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