Política

ENCONTRO COM NICOLÁS DEL CAÑO

5 motivos para participar do Encontro do Esquerda Diário com Nicolás del Caño

Por que ir a este Encontro? São importantes de fato as lições da esquerda argentina para enfrentar a crise no Brasil? Nicolás del Caño de fato expressa um tipo novo de política? Estes são os 5 principais motivos que vejo para comparecer ao Encontro do Esquerda Diário “Lições da esquerda argentina”, que são fundamentais para enfrentar a crise no Brasil.

Marcelo Tupinambá

São Paulo

quarta-feira 25 de novembro de 2015| Edição do dia

Clique aqui e assista o VÍDEO-CONVITE do Encontro, que será neste sábado em São Paulo

Peço atenção especial aos setores que em suas lutas estão mostrando confiança nas nossas forças para enfrentar a crise no Brasil, como os secundaristas de SP, ou que vieram de processos recentes como os petroleiros, trabalhadores da USP que barraram ataques da reitoria, metroviários que seguem resistindo aos ataques, as mulheres que ocuparam as ruas em várias cidades do país, e todos os setores que lutaram, como os carteiros que barraram os ataques ao plano de saúde.

É a partir de lutas como essas que podemos enfrentar a crise no Brasil e construir uma resposta independente, tanto da direita, quanto do governo. Não podemos aceitar passivos uma situação como a que vivemos no Brasil. Quantas tragédias anunciadas e provocadas pela ganância capitalista como a da Samarco, Vale e BHP Billiton teremos que viver? Precisamos construir uma verdadeira alternativa para os trabalhadores, as mulheres e a juventude. Esse Encontro, pode contribuir para isso?

5 MOTIVOS

1. Com o PT se transformando em um partido como qualquer outro, cada um com os seus “Cunhas”, há muita desilusão em relação a possibilidade de uma política que não seja para enriquecer e para objetivos particulares. Contra essa lógica, Nicolás del Caño e todos os parlamentares do PTS, partido que ele faz parte e que é a organização irmã do MRT, recebem o salário de uma professora e doam o restante para as lutas. Por exemplo, Raul Godoy, operário da fábrica Zanon que está a mais de 10 anos sob controle dos trabalhadores, cumpriu mandato ganhando o mesmo salário que ganhava na fábrica e agora voltou para a linha de produção. Todos estes deputados foram eleitos em base somente a força da militância revolucionária e dos trabalhadores, das mulheres e da juventude que apoiaram, sem receber nenhum centavo dos capitalistas;

2. A política no Brasil parece que é feita só no parlamento. Contra essa lógica, Nicolás del Caño, sempre utilizou sua referência como deputado federal para fortalecer de corpo presente as lutas dos trabalhadores. Por exemplo, na zona industrial de Buenos Aires, os operários muitas vezes cortam a principal rodovia da região em protesto. Nicolás sempre está presente e quando houve repressão policial, esteve na primeira linha denunciando para a imprensa e dando projeção para a luta em todo o país, recebendo inclusive diversas balas de borracha. Depois, utilizou sua referência pública para conquistar uma lei que impede a repressão nesta rodovia. Por causa dessa relação direta com as lutas, Nicolás sempre recebeu muito apoio dos trabalhadores;

3. A política parece que é um terreno somente para “políticos profissionais”. Os trabalhadores e a juventude que luta na base não aparecem fazendo política, seja porque o sistema político é totalmente anti-democrático e não permite, seja porque a própria esquerda repete a mesma lógica de só candidatar alguns que “falam bem”. Contra essa lógica, Nicolás del Caño foi candidato a presidente na recente eleição argentina pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em espanhol), onde o PTS apresentou mais de 1500 candidatos, que incluía uma ampla camada de trabalhadores do PTS, mas também abrimos a legenda para que independentes pudessem se candidatar e estimulamos a que o fizessem. Foram dezenas de trabalhadores de cada uma das categorias e fábricas mais combativas do país. É uma nova forma de fazer política, onde cada trabalhador combativo assume a tarefa de batalhar por resolver os grandes problemas do país, partindo de que os capitalistas e seus políticos corruptos não vão resolver. A chapa eleitoral também tinha 70% de mulheres;

4. Muitos trabalhadores e jovens concordam com as idéias do MRT mas são céticos em relação a que estas idéias revolucionárias possam ganhar peso real em setores de massa e fazer diferença nos rumos do país. O PTS da Argentina defende as mesmas idéias e é hoje o principal partido da esquerda argentina e, sem rebaixar o programa, Nicolás conquistou quase 1 milhão de votos e no seu estado, mais de 15% dos votos, principalmente da juventude. Valorizamos esses votos não porque nosso objetivo é um dia vencer as eleições para prefeito, governador ou presidente e administrar o sistema capitalista. Nicolás expressa abertamente na TV que seu objetivo é acabar com o capitalismo e construir um outro sistema político, um governo dos trabalhadores. Valorizamos porque se trata de um setor minoritário das massas que avançou na sua consciência de que não adianta votar em um “mal menor”, que votar nos revolucionários é uma forma de se preparar para os ataques que virão do próximo governo (que vai ser de Macri, representante da direita que venceu as eleições). O Jornal Estado de São Paulo entrevistou Nicolás justamente pelo peso que vem conquistando. A Argentina tem hoje a esquerda revolucionária mais forte do mundo, tanto em peso orgânico nos locais de trabalho e estudo, quanto em projeção superestrutural;

5. Muitos trabalhadores e jovens opinam que nem o governo nem a oposição são alternativa no Brasil. Sentem a necessidade de uma terceira alternativa mas sentem pouca confiança porque uma resposta dos trabalhadores para que a crise econômica e política não seja descarregada em nossas costas teria que ser construída na luta de classes concreta e, apesar de vermos fortes lutas como a atual de secundaristas de SP, praticamente não vemos uma esquerda organizada colaborando efetivamente em exemplos de luta, coordenação e construção de uma alternativa política efetiva. Nem mesmo o PSOL e o PSTU que se colocam no campo da esquerda socialista dão exemplos combativos. Assim, os ajustes vão avançando e novas tragédias tipicamente capitalistas como a da Samarco, Vale e BHP Billiton. Tanto lá como aqui, nossa batalha é por construir um terceiro campo, que só pode ser em base às lutas concretas, como neste momento a de secundaristas de São Paulo que estão dando um exemplo. Nesta batalha também temos muito a aprender com Nicolás e o PTS, pois não somente nas eleições se posicionou pelo voto branco ou nulo no segundo turno para dar um sinal claro aos governantes que não vamos aceitar os ataques, mas diferentemente do Brasil, nas paralisações nacionais que houve na Argentina, uma força social surgiu como fator de peso, paralisando diversas fábricas e locais de trabalho com ações independentes da burocracia sindical, apresentando uma alternativa de luta independente, construída pela base;

A burguesia brasileira quer trazer o exemplo do Macri para o Brasil, nós apresentamos outra alternativa.




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