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5 motivos para fechar com a chapa 5 para o DCE da UFRGS

A campanha eleitoral para Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul começou e membros do Esquerda Diário e da Faísca – Anticapitalista e Revolucionária compõem a Chapa 5 - A Plenos Pulmões. Conheça os 5 motivos para apoiar, votar e lutar ao lado da chapa 5 para derrotar Temer!

sábado 22 de abril de 2017| Edição do dia

1. Derrotar Temer e as reformas

É possível barrar a reforma da previdência, a trabalhista e o conjunto dos ataques do governo Temer, bem como derrubá-lo. O dia 15 de Março mostrou isso, quando centenas de milhares de trabalhadores cruzaram os braços e, junto a milhares de estudantes e jovens, saíram às ruas para protestar. É nessa disposição de luta onde depositamos a confiança em derrotar Temer. O dia 28 de Abril, próximo dia nacional de paralisação, está aí e, ao que tudo indica, será ainda maior, com diversas categorias já confirmando paralisações. No dia 28 precisamos paralisar a UFRGS e sair às ruas com os trabalhadores, participar dos piquetes de rodoviários, apoiar as paralisações que as categorias estão organizando (como professores, bancários, servidores, etc). É necessário tomar em nossas mãos essa luta em cada local de trabalho e estudo, se organizando desde as bases para paralisar o país e erguendo comitês de base que batalham para que o dia 28 seja parte de um plano de lutas real contra os ataques dos governos. Assim exigimos das centrais sindicais, sindicatos e entidades estudantis que organizem esse plano de lutas em todo o país, rumo a uma verdadeira greve geral. É a serviço disso que está a campanha da Chapa 5 neste momento.

Acreditamos que o DCE da UFRGS deve não apenas se posicionar acerca dos principais debates políticos do país, mas servir como uma ferramenta que organize os estudantes nessa luta que tanto nos concerne. Um DCE que se silencia diante da destruição da educação, dos direitos trabalhistas e do nosso futuro é o DCE que Temer e o conjunto dos políticos corruptos gostariam que existisse. Sabemos que não será nem o DCE nem os estudantes da UFRGS sozinhos que vão derrotar os ataques, e sim a união entre a força dos trabalhadores e da juventude. Nesse sentido, a entidade máxima de representação dos estudantes pode em muito contribuir, convocando assembleias gerais para organizar a luta, convocando os DA’s a chamarem assembleias, organizando periódicos que dialoguem com as necessidades dos estudantes, organizando debates públicos sobre os grandes temas nacionais, organizando blocos dos estudantes da UFRGS nos atos, disputando corações e mentes de cada jovem que hoje entra na universidade – construindo uma ferramenta de luta que erga um verdadeiro levante estudantil nessa universidade e seja referência para toda a sociedade.

2. Combater a direita dentro e fora da UFRGS

Recentemente completou um ano do golpe institucional aprovado na Câmara dos Deputados. Quem não se lembra do show de horrores de agradecimentos à Deus, a família e à propriedade privada? Até torturador foi celebrado. Hoje existe uma tarefa fundamental à juventude e aos trabalhadores: combater a direita cotidianamente. Rebater seus argumentos, impedir com que o discurso de ódio, machista, racista, xenófobo e até mesmo fascista se proliferem. Dizer em alto e bom som, a plenos pulmões, que não vão passar! Mas isso não é tarefa simples. O PT e o PC do B, por exemplo, diziam combater a direita quando na verdade se aliavam a eles em todos os lugares: Maluf, Feliciano, Temer, Calheiros, Cunha, Collor, Sarney, Kátia Abreu, etc. A lista de reacionários que o PT deu as mãos é imensa. Não aprenderam nada com o golpe e se aliaram novamente em mais de 1500 municípios com PSDB e PMDB nas últimas eleições municipais (sem contar no convidado especial do aniversário de 95 anos do PC do B, que foi o Rodrigo Maia, do DEM). Não se combate a direita se aliando a ela.

Parte da esquerda, como a última gestão, acreditava que bastava tirar a direita do DCE. Aconteceu que venceram nas urnas, mas não organizaram os estudantes para combatê-la nas ruas na época do impeachment. Sequer uma nota no facebook foi publicada contra o golpe... a única maneira de derrotar a direita, que dessa vez está formalmente fora do processo eleitoral, mas segue viva no cenário político nacional, é com a força dos trabalhadores e da juventude em cada sala de aula, em cada corredor, em cada luta, nas ruas, todos os dias. Não esquecemos do caso de Narlei Fidelis, estudante indígena que foi espancado em frente à CEU, tampouco das ameaças e declarações misóginas em cartazes espalhados por Bolsominions. Combater a direita com força e determinação!

3. Combater a terceirização dentro e fora da universidade

A terceirização hoje é uma das facetas mais cruéis da exploração capitalista. Ela serve para rebaixar os salários dos trabalhadores e retirar direitos elementares. Nos últimos anos ela cresceu exponencialmente: de 4 milhões, saltou para 13 milhões durante os governos do PT. Agora Temer e o Congresso querem agravar essa situação com a reforma trabalhista e a já aprovada lei da terceirização irrestrita. Na universidade vemos todos os anos trabalhadores terceirizados da limpeza, em sua grande maioria mulheres negras, recebendo salários e benefícios atrasados, demissões constantes, assédios das chefias, invisibilização e salários baixíssimos. A reitoria é responsável por essa situação absurda, frequentemente descrita pelos próprios trabalhadores como “humilhante” e “escravidão” – é ela que promove os contratos com as empresas terceirizadas. Muitas delas, como a MultiÁgil, por exemplo, fecham suas portas de um dia para o outro, alegando falência, e abrem outra empresa com diferente nome para novos contratos com salários rebaixados. Essa é a prática de alguns poucos empresários que lucram em cima do suor de tantas trabalhadoras. Elas, por sua vez, são responsáveis por mover essa universidade todos aos direitos e à própria universidade uma vez que o vestibular segue existindo como filtro social. Lutamos pelo fim da terceirização dentro e fora da UFRGS. Na universidade é necessário que o DCE e os estudantes levantem a demanda pela efetivação imediata das terceirizadas sem a necessidade de concurso público, uma vez que elas comprovam todos os dias que são capazes de efetuar a sua função. Isso deve ser combinado com melhores salários e mais dignidade no trabalho.

4. Por permanência e democratização do acesso e da estrutura de poder da UFRGS

A âmbito nacional, menos de 20% da juventude hoje acessa o ensino superior. A larga maioria destes está no ensino superior privado, enquanto que menos de 5% estão nas universidades públicas. Dentro das universidades públicas, a maioria dos estudantes vem de escolas particulares e tiveram acesso a cursinhos, etc. Os poucos filhos de trabalhadores que entram possuem extrema dificuldade de se manterem, seja pela falta de bolsas, os atrasos, valores que não dão para pagar um aluguel numa cidade como Porto Alegre, Casa do Estudante lotada, pelo fato de não conseguirem dar conta de trabalhar e estudar ao mesmo tempo, ou até mesmo pela ausência de creches para estudantes mães e as expulsões racistas que a reitoria promove ao indeferir as matrículas dos cotistas, além de outros problemas. O DCE precisa dar uma resposta a isso, organizando a luta em defesa das cotas, por creches, por bolsas de no mínimo um salário mínimo e que sejam reajustados de acordo com a inflação, por mais moradias. Defendemos também o fim do vestibular, uma bandeira que questiona o filtro social que impede com que a maioria da população tenha acesso ao ensino superior. A conquista de tudo isso esbarra em dois grandes problemas: a estrutura de poder antidemocrática e a crise econômica pela qual passa o país. Hoje o reitor, que sequer foi eleito pela maioria dos votantes, decide tudo o que se passa na universidade junto ao Conselho Universitário, órgão arcaico no qual nem estudantes nem trabalhadores possuem voz proporcional ao peso que possuem na universidade. Isso precisa mudar! Também precisamos de mais verbas para a universidade, lutar contra os cortes que já existiam com Dilma e que se aprofundam com Temer e lutar pelo não pagamento da dívida pública, mecanismo que só serve para enriquecer os banqueiros do país com dinheiro público, que deveria ser investido em saúde e educação públicas.

5. Defesa de uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo

Boa parte das pesquisas e do conhecimento produzido dentro da universidade serve aos interesses de fundações privadas, interesses pessoais e grandes empresas. Casos como o da [Cátedra Tramontina na Escola de Administração - > http://www.ufrgs.br/ufrgs/noticias/ufrgs-lanca-primeira-catedra-patrocinada-por-empresa-privada], o de professores do Instituto de Geociências que lucraram milhares de reais com pesquisas voltadas à petrolífera British Gas ou até mesmo da Gerdau que mantém parceria com a UFRGS desde a década de 90 são casos que escancaram a promíscua relação entre grande empresariado e universidade pública. Defendemos um conhecimento voltado às necessidades da população e não à sede de lucro do setor privado. Porque sobram patentes para grandes marcas da indústria farmacêutica, mas poucas para atender a saúde pública da população com dignidade? Por que sobram pesquisas voltadas para o mercado financeiro, mas falta produção científica para atender as demandas de saneamento básico da população? Nos parece que as prioridades da reitoria é se ligar ao empresariado, como Rui Oppermann mesmo já declarou, para tornar aquilo que deveria ser público em privado.

Motivo extra: somos contra o golpe e não estamos nem com PT nem com a Lava-Jato

E para dar continuidade: não somos citados em delações da Lava-Jato e nem recebemos dinheiro da Odebrecht. Por mais que as outras chapas escondam, nós não temos medo de dizer que temos em nossa composição organizações políticas (Faísca – Anticapitalista e Revolucionária/MRT e a Ontologia e Combate). É importante sabermos quais as organizações que impulsionam as chapas, pois assim sabemos as intenções e a política por trás. Todas as chapas são impulsionadas por grupos políticos ou partidos.
- Chapa 1: Ainda Há Tempo - antiga gestão (Juntos!, #MAIS, Alicerce e independentes)
- Chapa 2: Aos Que Virão (Barricadas Abrem Caminhos e independentes)
- Chapa 3: Todas as Vozes (Levante Popular da Juventude, PCR, Polo Comunista e independentes)
- Chapa 4: Pra Mudar (PT, UJS/PCdoB e independentes)
- Chapa 5: A Plenos Pulmões (Faísca, OC e independentes)
- Chapa 6: Vira Mundo (Articulação de Esquerda/PT, Vermelho Popular/PT e independentes)

Acreditamos que os debates políticos são essenciais no momento, tanto para lutar em unidade contra os ataques de Temer quanto para aprofundar e avançar nas divergências que existem. Todas as chapas se consideram do espectro político da esquerda, uma boa notícia para quem já viu a direita reacionária em ação. Isso nos permite fazermos exigência a todas as chapas sobre a construção do dia 28 de abril, o apoio à greve dos municipários de Cachoeirinha e a luta contra as reformas e o governo Temer.

Acreditamos que todas as chapas devem impulsionar um comitê unificado para organizarmos o dia 28 em toda a UFRGS nessa luta. Entretanto não confundimos nossas bandeiras. O processo eleitoral já começou e vimos que a Chapa 4 vem numa política bem oportunista, sem sequer citar Temer, o golpe ou as reformas em seu programa. Percebe-se que não se trata de uma chapa que prioriza a disputa de consciência dos estudantes, mas sim os votos para ganhar o aparato, procurando saídas com mais polícia e câmeras no campus (que vão servir para reprimir o movimento estudantil) e aliança com as empresas juniores. Dessa maneira a direita agradece.

Nem a chapa 4 nem a chapa 3 nem a chapa 6 possuem a estratégia de derrotar de fato Temer. Os três, com organizações que apoiam o projeto político do PT, possuem a estratégia de desgastar Temer visando as eleições em 2018, onde Lula possivelmente aparecerá como o candidato deles. Acontece que até 2018 as reformas já vão ter passado! E o PT não está totalmente contra os ajustes, como Dilma já mostrou com os cortes bilionários na educação, o apoio à terceirização e Lula ao afirmar que não é contra mexer na previdência. A Chapa 1, continuidade da gestão do ano passado, mostrou que não é capaz de organizar a resistência de maneira séria. Ano passado não chamaram assembleias para lutar contra o golpe, sequer soltaram uma nota de repúdio ao show de horrores na Câmara. Tudo isso porque as organizações presentes na gestão, o Juntos principalmente, só se posicionou contra o impeachment nos 48 do segundo tempo e insiste em apoiar um dos principais mecanismos reacionários do golpe e dos ataques que é a Lava-Jato. Dessa maneira o DCE se paralisou por completo. Nós acreditamos numa perspectiva independente, sem rabo preso com nenhum partido que está enlameado em corrupção, que recebe dinheiro da Odebrecht, e em defesa dos interesses dos estudantes, trabalhadores e conjunto da população. A Lava-Jato e o Sergio Moro, heróis dos coxinhas, vem servindo única e exclusivamente para ampliar a entrega de nossas riquezas nacionais, para privatizar a Petrobrás, e golpear o regime político pela direita, garantindo impunidade a muitos e nenhum combate a corrupção real. É com essa perspectiva política que entramos nessas eleições e continuaremos lutando. Convocamos todas e todos os estudantes a lutarem conosco, em defesa do nosso futuro.




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