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43 mil jovens morrerão em 7 anos no Brasil, e em sua maioria negros de periferia

Uma pesquisa divulgada por diversos órgãos mostrou que 43 mil jovens devem morrer em 7 anos no Brasil. A pesquisa também mostra que tais mortes não são fruto do acaso, existe um perfil: jovens negros e periféricos.

quarta-feira 11 de outubro| Edição do dia

43 mil jovens entre 12 e 18 anos serão assassinados no Brasil em 7 anos.

Uma pesquisa feita pelo Unicef, braço das Nações Unidas para a infância, Secretaria dos Direitos Humanos, o Observatório das Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A pesquisa mostra dois recortes muito importantes: homens tem 13,5 vezes mais risco do que mulheres; e negros têm 2,8 vezes mais risco do que brancos. A estimativa é baseada no Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), que cruza dados oficiais e considera mortes de jovens por homicídio em 300 municípios com população acima de 100 mil habitantes.

Esta pesquisa não oferece dados aleatórios e frutos do acaso, na verdade sabemos que é o extermínio da população jovem e negra o verdadeiro projeto de vida que o capitalismo pode oferecer para a juventude.

Em 2013, 29% de mortes ocorreram por causas externas. A categoria “causas externas” segundo sua classificação internacional inclui lesões, intoxicações e efeitos adversos, desta forma, as mortes podem ser causadas por homicídios, acidentes de carro, suicídio, entre outros. Destes 29% de mortes por causas externas, 13,9% eram homicídios, seguido de 6,9% por acidentes de trânsito.

O genocídio da população negra e periférica

O levantamento também revelou através do cruzamento de dados com outras pesquisas, que as vítimas são os jovens do sexo masculino, negros, de baixa escolaridade e moradores da periferia. É a população jovem das periferias das cidades brasileiras que está constantemente mais exposta à guerra ao tráfico e à violência. Não há perspectiva para essa população de mudanças profundas na sua realidade material, não há acesso à educação pública e de qualidade, deixando a deriva os jovens negros.

A guerra ao tráfico de drogas promovida com intensa matança policial pelos governos nas periferias deixa suas marcas todos os dias. A eliminação do povo negro vem justificada através do discursos de muitos governantes como “uma pacificação das comunidades e o fim do tráfico de drogas”. Na realidade o que acontece é um extermínio da população negra pelas mãos de policiais, que em 2015 mataram mais do que os assassinatos por latrocínio (roubo seguido de morte).

No Brasil, a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado. Tiram da população negra todo o acesso à educação e saúde de qualidade, minando todas as expectativas e finalizam com a polícia assassina invadindo suas casas e tiram suas vidas. São os negros o brasil a população maiores porcentagem de encarceramento, sendo mais de 60%; com maiores taxas de desempregos (28,2%) e com rendas menores que os brancos; e menos de 12% dos estudantes das universidades são negros.

A realidade da população negra é essa: impedidos de ter acesso à de todos os direitos básicos de uma vida digna, marginalizados de todas em todas as escalas e expostos à constante violência policial e generalizada. O projeto capitalista para a juventude, especialmente negra e periférica é dizimar sua subjetividade e sua existência.

Qual a forma de oferecer um projeto real de vida para a população jovem, negra e periférica do Brasil?

A população jovem no brasil carece de um verdadeiro projeto, intimamente vinculado às suas necessidades materiais e subjetivas, que possa dialogar por completo pelo fim da violência policial, da violência generalizada, da exposição ao tráfico de drogas, falta de educação e saúde.

Somente através da organização da juventude e da classe trabalhadora em torno da solução real dos problemas que são expostos que a mudança poderá ser efetiva. A guerra às drogas é uma tática historicamente falida, que mascara apenas a real intenção de um sistema de misérias que é massacrar a população pobre, e que afeta de maneira brutal a população jovem.

É através de uma constituinte, livre e soberana, imposta pela mobilização da própria juventude com os trabalhadores, que é possível encarar tais questões de maneira séria e definitiva. Planejando em conjunto uma política de drogas que seja ligada não apenas ao combate ao tráfico, portanto legalizando todas as drogas e colocando sua produção e circulação sobre controle dos trabalhadores, mas também às questões de saúde pública e educativa sobre o uso de drogas na nossa sociedade.

Oferecendo o direito à vida para esta juventude, com educação de qualidade e cultura, lazer, que dialogue com a população, que explore as infinitas capacidades humanas e um projeto sério de combate ao racismo e à miséria capitalista.




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