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Os governos e o judiciário são responsáveis | 3 anos do crime da Vale em Brumadinho: que as mineradoras paguem por toda destruição em MG

Já fazem três anos em que o luto, a tristeza e a revolta são mais fortes em 25 de Janeiro. Três anos de luta por justiça de centenas de famílias. Três anos de impunidade, lucros exorbitantes, e ajuda de Zema, Bolsonaro e Mourão e da Justiça dos patrões à Vale.

MaréEstudante de Biologia da UFMG

terça-feira 25 de janeiro | Edição do dia

Foto: Lucas Prates

A lembrança do imperdoável crime socioambiental da Vale em Brumadinho acompanha a população atingida por barragens permanentemente. Sem reparar minimamente os seus crimes - nem mesmo em Mariana - a Vale nunca parou de lucrar e é a segunda empresa de maior valor de mercado no Brasil.

Por parte dos governos, nada novo e nada mais revoltante: no período entre os terríveis aniversários dos crimes em Mariana e Brumadinho, Romeu Zema fechou cinco acordos com diferentes mineradoras, em benefício da ganância predatória dessas empresas. Um dos acordos, com a própria Vale, se deu exatamente no dia em que se completou 6 anos do crime em Mariana.

A mesma política sádica se encontra no governo de Bolsonaro e Mourão. Inimigos dos trabalhadores e do meio ambiente, o crime da Vale em Brumadinho coroou o início de um governo que se sustenta sobre os bois do agronegócio. Governo este que não só passou e segue passando sua boiada sobre a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado e em tudo onde se pode ver lucratividade; mas também flexibilizou a devastação ambiental e cortou verbas da preservação e conservação ambiental para financiar a compra do centrão. Como um dos resultados, as mineradoras tiveram receita de R$339 bilhões apenas em 2021, ano em que o Brasil termina com 40 barragens em situação de emergência declarada.

Janeiro, que é sinônimo de tragédia anunciada em decorrência do planejamento irracional dos governos frente às chuvas, é atravessado em Minas Gerais pelo medo de novos rompimentos de barragens à montante. As três barragens com maior risco de rompimento no Estado são da Vale. Mas outras empresas também expressam a face perversa da ganância capitalista. Este ano, por exemplo, uma barragem da Vallourec transbordou causando um bloqueio na 040. Em decorrência disso, uma família inteira que desviou seu caminho morreu em outro desabamento.

Enquanto sofremos o luto dos 25 mortos e mais de 55 mil desalojados e desabrigados pelas chuvas esse ano em MG, seis famílias tentam ter a triste esperança de ainda poder velar ao menos um resto mortal de um ente querido morto em Brumadinho e ainda não encontrado e/ou identificado. Outras 264 pessoas, duas delas grávidas, já foram veladas. Mas as vidas destruídas pela lama são muitas outras, dentre as quais muitas seguem em luta, mesmo despedaçadas.

Pela incalculável tristeza dessas perdas, e pelas perdas de casas, documentos, animais e objetos importantes, pelo trauma físico e psicológico, pela destruição de uma cidade inteira, os atingidos ainda precisam lutar por indenizações. Apenas no último ano a Vale aceitou o número de 150 mil atingidos, passando a considerar pessoas que tiveram seus empregos, sua saúde, sua disponibilidade de água, dentre outros, alterados em decorrência do rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

Todo esse desgaste das vítimas tem boa parte de providência do judiciário golpista e patronal, que além de poupar a Vale de pagar com seus lucros e bens por toda a destruição, até hoje não julgou ninguém pelo crime cometido há três anos. O pano de fundo da impunidade é uma suposta discussão de jurisprudências, e agora o Ministério Público vai recorrer ao STF, o mesmo que há poucos meses estava discutindo arrancar os indígenas de suas terras para favorecer o agronegócio.

Mas é fundamental denunciar: o PT e seus governos também têm responsabilidade pelos crimes da Vale. Mariana aconteceu no governo de Fernando Pimentel em MG e Dilma Rousseff a nível nacional. Brumadinho se deu 25 dias após Pimentel tirar a faixa de governador, depois de ter sido um grande amigo das mineradoras. A atual prefeita de Contagem, Marília Campos, tem seu nome na lista dos políticos que tiveram campanhas financiadas por mineradoras. Se nos últimos quatro anos as licenças ambientais mais que duplicaram e Minas Gerais é um dos estados com mais licenças para mineração expedidas no Brasil no último ano, isso apenas aprofunda, pelas mãos da extrema direita asquerosa, o legado das gestões petistas.

O caminho que o PT aponta hoje é exatamente o mesmo, a começar pelo perdão de Lula aos golpistas e a sua reconciliação, representada pelas tentativas de ter Geraldo Alckmin como vice. O mesmo Alckmin mal teve tempo, ainda, de tirar as vestes do PSDB que, na figura de Fernando Henrique Cardoso, privatizou a Vale em 1997. Não é atoa que os atingidos estejam lutando sem a ajuda das centrais sindicais dirigidas por PT e PCdoB: a política eleitoralista e de conciliação de classes petista inclui o abandono e a traição a qualquer luta, por mais elementar que seja, como é a dos atingidos, para agradar os “aliados” da “governabilidade”.

Por isso é preciso cobrir de solidariedade as lutas permanentes contra as mineradoras e batalhar lado a lado de cada atingido e atingida para que a Vale e todos os patrões paguem por cada vida arrasada pela ganância capitalista, sem nenhuma confiança em saídas eleitorais e institucionais, como as judiciais. Com a força da aliança dos trabalhadores de diversas categorias com os movimentos de atingidos, com os métodos da luta de classes, é possível impor não só um programa de reparo para Brumadinho mediante o confisco dos bens e lucros da Vale, mas ir por mais, com bandeiras como por exemplo a desativação imediata das barragens com risco de rompimento, a adoção de um plano de obras públicas e outras medidas de diversificação da economia de MG, medidas de recuperação de áreas ecologicamente desequilibradas pela mineração, dentre outros.

Lutemos pela estatização da Vale sob gestão de trabalhadores, tirando essa atividade das mãos dos capitalistas e colocando nas mãos dos que são os maiores interessados tanto com a sobrevivência de populações inteiras quanto com a conservação do meio ambiente. Nesses moldes, o controle popular, com a ajuda de especialistas das mais diversas áreas, permitiria transformar radicalmente o atual modelo predatório de mineração, para que nunca mais haja novas Marianas e Brumadinhos, para que o povo mineiro não seja refém das mineradoras e de seus defensores nos governos e no judiciário, e para que os capitalistas de conjunto paguem pela crise.




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