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2016, recomeça a ciranda da política brasileira

O ano político de 2016 começou muito parecido com como o ano passado terminou. Isso já foi dito, e é verdade. Lula reuniu Dilma e a cúpula petista em Brasília, para ensaiar o próximo passo da dança entre o PT e o governo.

Edison Urbano

São Paulo

quarta-feira 6 de janeiro de 2016| Edição do dia

Dança em que o partido apoia e é o pilar do outro, mas ao mesmo tempo critica e faz que não com a cabeça, para tentar manter algum perfil autônomo e não naufragar de vez em popularidade.

O tema do discurso é o mesmo: o PT tentaria empurrar o governo a adotar uma política econômica distinta, numa espécie de combinação moderada entre as medidas de austeridade (o “ajuste”) e algo do que “tinha de bom” no lulismo (especialmente, o crédito). Chamam isso de “guinada à esquerda” (?).

Por outro lado, o PMDB segue sendo o fiel da balança, representante maior da inércia política do país. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), arquivou pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer (PMDB).

Agora, em pleno recesso parlamentar, Cunha foi à Câmara para, entre outras coisas, indeferir um pedido de impeachment contra o vice-presidente da República, Michel Temer.

O pedido do impeachment de Temer foi protocolado em dezembro por um advogado, alegando que o vice-presidente cometeu crime de responsabilidade e teria atentado contra a lei orçamentária.

Foi o segundo pedido de afastamento de Temer arquivado por Cunha, depois de uma primeira tentativa que partiu do deputado Cabo Daciolo (ex-PSOL, atualmente sem partido).

Por sua vez, Temer começou o ano com a declaração de que pretende manter “uma relação harmoniosa” com a presidente Dilma Rousseff... "pelo menos no começo do ano”.

É claro que vem logo à mente a carta de Temer a Dilma, no ano passado, com uma série de reclamações sobre a aliança com o PT, e que serviu para aproximá-lo da ala pró-impeachment do PMDB.

Enquanto isso, a briga interna do PMDB é para definir qual será o novo líder do partido no Congresso. A divisão entre as alas governista e pró-impeachment é mais marcada do que nunca, com deputados da ala pró-impeachment saindo na ofensiva contra o atual líder Picciani, que tenta se reeleger.

A disputa se revestiu da forma de uma divergência entre o critério de eleição, se é por maioria simples, ou qualificada de 2/3. Mas a questão de fundo é se a ala pró-impeachment vai impor uma mudança ou não, já que a maioria simples favorece as chances de que Picciani permaneça no cargo.

Picciani conta a articulação política do Palácio do Planalto, com a ajuda do comando do PMDB do Rio, que articulou a volta de aliados que estavam em outros cargos para os mandatos de deputados, mas o cenário de crise não permite definir como terminará a questão.

Mas a preocupação do PT em dirimir a desavença interna e consolidar o apoio do PMDB vai muito além. Na virada de ano, foi o ministro petista da Casa Civil, Jaques Wagner, o escalado para tentar refazer a ponte com o vice Temer, da ala mais arisca do PMDB. Não deixa de ter sua lógica peculiar, já que o mesmo Jacques Wagner acaba de estampar jornais de grande circulação, com sua afirmação de que o PT “se lambuzou” com o poder.

A frase de Jacques Wagner combina com outra, em contexto bem distinto, do prefeito de SP, Haddad, do mesmo partido. Segundo ele, comentando as perspectivas do PT nas eleições municipais de outubro próximo, tentou minimizar o impacto dos recorrentes escândalos de corrupção envolvendo o partido. Tentou levar a questão para o âmbito meramente individual: "Existe gente boa e gente ruim em todas as agremiações humanas e tem gente boa e ruim no PSDB, no PT, no PMDB, no PP".

Mas essa mesma observação de Haddad trai a si mesma. Tentando defender o PT contra os indivíduos “desviados” dentro de suas fileiras, o prefeito de SP apenas reconheceu a triste verdade de que o PT, há muito, se tornou partido como os outros. O único detalhe “picante” é que Haddad tenha dito isso na mesma semana em que se unirá para anunciar, de braços dados a Geraldo Alckmin, o aumento das tarifas de transporte em SP.

Foi contra essa dupla que se iniciou o grande movimento de Junho de 2013. Agora, foi contra Alckmin que uma nova geração de estudantes pós-junho ganhou um protagonismo inédito. Não é demais pensar que 2016 possa começar realmente com os atos convocados para essa sexta-feira, dia 08, em SP, RJ, BH e outras cidades. E que nesses próximos embates germinem as respostas mais de fundo para os grandes problemas sociais do país, que toda a velha política que já se juntou ao novo ano serve apenas para perpetuar.




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