Mundo Operário

DESEMPREGO

20 mil postos de trabalho fechados no ABC

A política da burocracia sindical se mostra ineficaz frente aos ataques dos patrões: o ano 2016 acabou com mais de 20.000 postos de trabalho fechados nas indústrias do ABC Paulista. Toda a política proposta pelos sindicatos, PDV, PPE e Lay-off, só fortaleceu as patronais e não impediu as demissões.

Thiagão Barros

morador de Mauá, no ABC paulista

terça-feira 31 de janeiro de 2017| Edição do dia

No ano de 2016, fecharam-se aproximadamente 20,3 mil postos de trabalho, somente na indústria do ABC Paulista, segundo os dados da pesquisa da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). A situação é pior quando se vê o contexto geral (comércio, serviços, construção e indústria), que aponta por volta de 56 mil postos de trabalhos fechados entre novembro de 2015 e 2016, de acordo com a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), pesquisa feita em parceria entre a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Neste cenário, a rotina de acordar cedo para procurar trabalho tem se tornado mais dura, as filas de desempregados têm aumentado frente a salários mais baixos e cargos mais precários.

Para tentar enfrentar as demissões, os principais sindicatos da região vêm utilizando três ferramentas: o PPE (Plano de Proteção ao Emprego), o PDV (Plano de Demissão Voluntária) e o Lay-Off (Suspensão do contrato de trabalho). Porém, nenhuma dessas foi capaz de impedir o número de postos de trabalho fechados, bem como a retração em 7,1% dos rendimentos médios. Ao contrário, essas medidas fortaleceram os patrões na sua política de aumentar a exploração do trabalho e de legitimar as demissões.

O PPE, que teve início em julho de 2015, alcançou, até abril de 2016, 70 empresas com 46 mil trabalhadores em todo o Estado de São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, seu alcance não impediu o fechamento de 152,5 mil postos de trabalho na indústria paulista em 2016 e, assim, torna-se ainda mais questionável, uma vez que ela atinge somente 10% das mulheres e consumiu R$ 18,2 milhões dos cofres públicos em abril do ano passado.

A burocracia sindical da CUT e da Força há muito tempo abandonou os métodos tradicionais dos trabalhadores, segue numa linha de conciliação entre patrões e governo, uma ação estéril para combater as demissões. Não construiu nenhum exemplo de luta para os trabalhadores, quando, não diretamente, impediu o desenvolvimento de lutas mais profundas, como foi na Arteb, onde os trabalhadores deflagraram greve contra as 370 demissões, ou na Kharman Ghia, onde os trabalhadores fizeram até mesmo um acampamento para resistir às demissões.

A crise segue e o desemprego aumenta

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2017, a cada 3 novos desempregados no mundo, 1 será brasileiro. Vai ser mais 1,2 milhão de novos desempregados no Brasil, o que representará 35% no aumento do desemprego mundial. Diante dos ataques, que serão ainda maiores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mantém a mesma imobilidade. O seu último periódico semanal (Tribuna Metalúrgica) do ano de 2016 traz o título “2016 o ano que sobrevivemos” , o que parece mais um “ufa” dos burocratas que, em meio a tanto desemprego, mantiveram-se em seus postos privilegiados.

No mesmo periódico, em um editorial da Tribuna Metalúrgica, o presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, admite que “2016 foi um ano difícil, mas que programas como o PPE ajudaram a amenizar a situação”, o que é uma ilusão, como mostram os dados acima. O mais escandaloso ainda são os planos para 2017, nas palavras do presidente:

”Os Metalúrgicos do ABC continuarão fazendo propostas ao governo, levando reivindicações e sugerindo intervenções. Vamos continuar propondo políticas que impulsionem o crescimento e ajudem o País a sair da crise, a exemplo do projeto de renovação da frota de veículos. Continuaremos trabalhando pela manutenção da política de conteúdo local, que consideramos fundamental como geradora de empregos, entre outras iniciativas”

Ou seja, os planos são os mesmo do início de 2016, ações que já se provaram ineficazes e que apenas desmoralizam os trabalhadores, ao final do mesmo artigo o presidente finaliza:

“Será tão somente a partir da nossa mobilização que conseguiremos ser ouvidos. Aos que se fingem de surdos, gritaremos se for preciso. Não sairemos das ruas enquanto esse governo continuar avançando sobre a classe trabalhadora. Nossa esperança é a luta. ”

Rafael Marques usa frases de efeitos, mas de que valem as palavras, se no dia a dia se mantém a mesma política de negociações em favor das patronais? O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem que se pôr à altura de seus desafios e responsabilidades: a cada demitido em uma grande montadora, calcula-se que até 6 operários são demitidos na cadeia produtiva, é o destino de milhares de trabalhadores que está em jogo.

Os sindicatos precisam romper com sua paralisia. Não será com palavras que derrotaremos os ajustes de Temer e dos patrões golpistas. É preciso organizar os trabalhadores desde a base e construir uma enorme mobilização que nos permita lutar contra as demissões.




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