MAIO DE 1968 NO BRASIL / FEIRA DO LIVRO-BRASÍLIA JUNHO 1968 /

1968 no Brasil: um ano de combates, ainda não decifrado até o fim

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 5 de julho| Edição do dia

A Feira do Livro de Brasília, evento anual, em sua 34ª edição, de 8 a 17 de junho, organizou uma mesa de debates com o tema Maio de 1968: o movimento estudantil que revolucionou o mundo.

Dela participaram o cineasta Vladimir de Carvalho, a escritora Beth Almeida [autora de A paixão de Honestino], a profa da UnB Lucilia Neves e a deputada federal pelo PT, Erika Kokai. Nesta mesa, mediada por G Dantas [pós-doutorando em Políticas Sociais pela UnB e integrante do Esquerda Diário], cada palestrante contou com 20 minutos para expor sua visão daquele ano de grandes combates e que viveu a maior explosão estudantil da nossa história.

Que fios de continuidade político-estratégica podemos resgatar daquele ano politicamente convulsivo para hoje? As lutas no Brasil se desenvolviam nos marcos de uma grande paisagem política mundial: que paisagem era aquela?

Por que, na nossa perspectiva, a esquerda, brasileira, foi surpreendida vivendo uma grande crise de identidade político-estratégica? Como se expressou, ali e mais adiante, essa crise de identidade? De onde vem a dificuldade da esquerda de mais peso, no Brasil, em converter em força material um programa anticapitalista e por que tem reiteradamente capitulado a direções de perfil pequeno-burguês ou então economicista/reformista tipo Jango/Brizola ou, no caso do novo ascenso operário pós-68, o lulo-petismo?

O trotskismo centrista que havia em 1968 e que reemergiu, sob várias siglas [lambertismo, mandelismo, morenismo] que tipo de programa e de estratégia ofereceu para o movimento operário? Por que se mostraram incapazes de levar adiante os fios de continuidade, as grandes lições operárias de 1968 naquele novo ascenso proletário no Brasil? Qual era a grande miragem que as várias situações e vitórias revolucionárias mundiais iam criando – em forma de pressão de “opinião pública de esquerda” – sobre as esquerdas brasileiras de então?

Em suma: para além das lições e exemplos de bravura, generosidade e heroísmo da nossa geração daqueles anos, que lições tirar do nosso maio de 1968 para os dias atuais? Para hoje, quando a luta de classes vive, também, grande crise, com o fracasso político do lulo-petismo e a não emergência, ainda, de um partido de esquerda de massas, não atrelado ao lulismo, com um projeto de delimitação de classe que lute contra o golpismo e para vencer?

Esses foram os pontos examinados na nossa curta intervenção e que podem ser conferidos no vídeo abaixo [que procura reproduzir aquela fala].




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