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1968 no Brasil: a crise da esquerda armada

Gilson Dantas

Brasília

sábado 16 de junho| Edição do dia

Dias atrás a USP promoveu o seminário internacional com o tema Cinquenta anos de 1968: a era de todas as viradas e no dia 6 de junho nos tocou discorrer sobre o tema O movimento estudantil em 1968. Cada orador também deveria falar da sua própria experiência naquele ano de 1968 e anos de chumbo.

O foco da intervenção girou em torno da seguinte questão: após a maior movimentação estudantil da nossa história, que se deu no mesmo ano da primeira tentativa do proletariado de enfrentar abertamente a ditadura de 64 [com as greves de Contagem e Osasco], grande parte das correntes que estavam no movimento estudantil, se lançaram à luta armada. Qual o significado disso em termos de estratégia para a revolução no Brasil?

Muitas daquelas lideranças – também operárias, como José Ibrahim de Osasco – procuraram explicar aquela opção como sendo determinada pelas circunstâncias, pela consolidação da ditadura e o fechamento de qualquer oposição política institucional por meio do AI-5 em dezembro de 1968.

Parte dos objetivos da nossa intervenção foi de problematizar essa tese.
Os demais membros da mesa de debates sobre o tema naquele Seminário [organizado pelo prof Osvaldo Coggiola] examinaram o problema daquela explosão estudantil de 68 no Brasil, porém sem se ocuparem de um balanço da grande opção de grande parte da esquerda organizada naquele momento, a guerrilha.

Na nossa perspectiva, não se pode passar por fora desse balanço; e aquela opção armada tem tudo a ver com um nível das direções políticas de então, de organizar correntes políticas e movimentos sem procurar se apoiar na experiência marxista clássica, que somente recorre à luta de guerrilhas em condições de luta determinadas e jamais como uma estratégia.

Agir dessa forma, no caso do Brasil de 1968, para além da pressão da vitória guerrilheira em alguns cantos do mundo [como Cuba], foi muito mais uma expressão do escasso debate, nas esquerdas, sobre o papel insubstituível da organização do proletariado, como o sujeito político para barrar os golpes [como nas atuais circunstâncias no Brasil, onde a CUT/PT não cumpre esse papel e deixa os ataques do Temer e até o golpe institucional de 2016 ocorrer sem resposta].

Atuar no movimento operário e estudantil naqueles marcos, onde a ditadura se consolidava [após não ter encontrado a reação da direção proletária do PCB stalinista] também colocava essa mesma questão. Era um dos debates necessários para o movimento estudantil em 1968, a de organizar correntes pró-operárias no sentido de retomada da construção da confluência operário-estudantil, na perspectiva das transformações sociais anticapitalistas.

Você pode conferir o desenvolvimento da fala, de 35 minutos, no vídeo abaixo.




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