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1% mais rico ganha 36 vezes mais que metade da população no Brasil

Por mais um ano seguido, os dados da Pnad, do IBGE, mostram que a desigualdade social no Brasil não está em vista de desaparecer. Desta vez, a pesquisa aponta que o rendimento médio mensal de apenas 1% dos mais ricos no Brasil recebe 36 vezes mais que metade da população de todo o país. Ou seja, enquanto metade da população recebe a renda média de R$ 754 por mês, esse 1% recebe uma média mensal de R$ 27.000

quarta-feira 11 de abril| Edição do dia

(foto:DCM)

A pesquisa aponta que em determinados lugares do país a situação da desigualdade é ainda mais gritante, como no Nordeste, onde o 1% mais rico recebe 45 vezes mais que a metade mais pobre, e chega também a mostrar dados escandalosos como os 5% da população trabalhadora que chega a sobreviver com o rendimento médio de R$ 47 por mês.

O IBGE anualmente divulga pesquisas e estudos a respeito das desigualdades socioeconômicas no Brasil e os dados apontados dos últimos anos não foram diferentes, como divulgado em 2013, em 2014, em 2016 ou em 2017. À primeira vista pode parecer que se trata de uma notícia antiga, mas um olhar mais atento aponta que não, e que na verdade se trata de um estancamento de longa data, apesar das pequenas oscilações percentuais episódicas.

O que realmente acontece é que se trata de um enriquecimento contínuo - também apesar das pequenas oscilações - de uma minúscula parcela da sociedade às custas da maioria da população, que sobrevive com salários miseráveis e em condições desumanas. Eis um reflexo do que ocorre em todo o mundo, onde a desigualdade anualmente bate seus próprios recordes, com 8 bilionários possuindo o acúmulo equivalente ao que possui metade da população mundial.

Em outras palavras, poderíamos dizer que a vida de maior parte da população é determinada por poucas pessoas donas do poder político e econômico do mundo. E isso não acontece por acaso, mais sim por conta do sistema econômico a que os trabalhadores e a população estão submetidos. O capitalismo não consegue se sustentar sem expropriar de muitos para dar para poucos.

O monopólio e a concentração de renda cada vez maior são frutos das movimentações do modo de produção capitalista, e a ideia de um capitalismo concorrencial em que todos poderiam atingir as benesses da riqueza apenas com seu trabalho se tornou um mito que ficou para os iludidos de dois séculos atrás. O capitalismo funciona à base desta concentração, que tem como consequência irremediável a desigualdade na distribuição de renda, e foi justamente por esta lei fundamental deste modo de produção que ele pôde se desenvolver.

A única forma de dar uma saída para esta situação de tremenda desigualdade e descontentamento social gerado pela crise capitalista e pelo aumento da carestia de vida, que contrasta à crescente fortuna de um punhado de homens, é por meio da organização de uma alternativa política que seja de fatos dos trabalhadores, independente de bilionários e de quaisquer alternativas políticas de banqueiros ou empresários, que se enfrente com os privilégios dos capitalistas ao colocar em perspectiva a batalha pela taxação das grandes fortunas, o combate ao desemprego por meio da redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. Somente um programa anticapitalista dos trabalhadores pode atender efetivamente à demanda da grande maioria da população mundial e colocar abaixo essa desigualdade social.




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